sexta-feira, 14 de novembro de 2014

«FLORIDA»

Paquete francês que navegou com as cores da casa armadora Société Générale des Transports Maritimes. Foi construído no estaleiro de Saint Nazaire em 1926. Com 147,60 metros de comprimento por 17,75 metros de boca, o «Florida» apresentava uma arqueação bruta de 9 331 toneladas. A sua (triste) celebridade adveio-lhe do facto de ter sido violentamente abalroado -no dia 2 de Abril de 1931- pelo porta-aviões «Glorious» da 'Royal Navy', quando navegava ao largo de Gibraltar, com 450 viajantes provenientes de Buenos Aires e com destino a Marselha. O «Glorious» e outros vasos de guerra britânicos encontravam-se em manobras de rotina naquela zona do Mediterrâneo ocidental, sobre a qual se abateu bruscamente (na referida data e antes da ocorrência) uma espessa neblina. Lançado a uma velocidade próxima dos 30 nós, o porta-aeronaves chocou violentamente com o paquete da S.G.T.M., abrindo-lhe um rombo no casco com 15 metros de longo. A pedido do comandante do navio mercante, o capitão do «Glorious» manteve-o encastrado no «Florida» durante 2 horas, de modo a manter o mercante à tona de água, enquanto duraram as manobras de salvamento dos respectivos passageiros. Terminada a evacuação do paquete e depois do desencastramento do porta-aviões, o «Florida» pôde manter-se à superfície e foi rebocado para porto seguro (Málaga) por dois contratorpedeiros ingleses. Feito o balanço final dos desgastes causados e a contagem das vítimas, contaram-se avarias importantes no navio abalroado, 32 mortos a bordo, assim com grande número (cerca de 50) de feridos. No «Glorious» houve apenas, e apesar da violência do choque, 1 morto a lamentar.  Depois de morosos trabalhos de recuperação, o «Florida» voltou ao serviço activo. Encontrava-se no porto de Bougie (Argélia) no dia 13 de Novembro de 1942, quando foi alvo de um bombardeamento aéreo e ali se afundou. Reemergido em Maio de 1944, este navio foi rebocado até aos estaleiros de La Seyne-sur-Mer, onde foi recuperado. Retomou as suas andanças sob pavilhão gaulês em 1946, até que, em 1955, foi vendido para Itália e integrado (depois de grandes trabalhos de modernização) na frota da companhia Grimaldi-Siosa com o nome de «Ascânia». Que é necessário não confundir com outros navios com o mesmo denominativo. Foi colocado numa linha que ligou a Europa às Antilhas e portos setentrionais da América do Sul, para onde transportou (até 1968, ano em que foi enviado para a sucata) muitos emigrantes. Nomeadamente portugueses e galegos, visto essa linha escalar Lisboa e Vigo.

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