sexta-feira, 16 de novembro de 2012

«TOLLAN»»



Navio porta-contentores (do tipo Ro-Ro) construído nos estaleiros japoneses da firma Kasado, de Kudamatsu, em 1979. Era uma unidade com 4 628 toneladas de arqueação bruta, que media 115 metros de comprimento por 19,80 metros de boca. Estava equipado com uma máquina diesel desenvolvendo uma potência de 6 801 hp, força que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 15 nós. Este navio usava bandeira das ilhas Bermudas, mas navegava por conta da casa armadora Tackler, uma subsidiária da sociedade Sea Containers Atlantic, registada na Grã-Bretanha. O «Tollan» era, pois, um navio recentíssimo quando, na manhã de 16 de Fevereiro de 1980, entrou no Tejo e ali entrou em colisão (por causa do nevoeiro e de problemas com a sua aparelhagem radar) com várias embarcações. Primeiramente, com o rebocador «Serra de Portalegre» e, depois, com o «Barranduna», um navio sueco de maior porte. Em consequência deste último abalroamento, o «Tollan» sofreu um rombo no casco, meteu água e acabou por virar-se completamente, mas sem se afundar. No desastre, morreram três dos seus 19 tripulantes e uma passageira, esposa do oficial de máquinas. Representando um real perigo para a navegação, o navio foi rebocado para uma zona menos exposta do rio Tejo, situada mesmo em frente do histórico Cais das Colunas. E, por incapacidade técnica dos nossos serviços portuários (mas não só), ali se manteve durante 3 anos, 9 meses e 17 dias. Tempo durante o qual serviu de atracção turística à população de Lisboa e até a muitos curiosos provenientes de outras partes do país. A popularidade do «Tollan» foi tal, que eventos e até casas comerciais receberam o seu nome. Como muitas anedotas foram contadas a propósito daquela ‘baleia vermelha’ (por alusão à cor da parte emergida do navio), também vista como um verdadeiro ‘porta-aviões das gaivotas’. Finalmente –a 12 de Dezembro de 1983- por intervenção da empresa especializada alemã Sealift, o navio foi recolocado na sua posição normal e logo rebocado para o estaleiro da Lisnave, onde, posteriormente, seria desmantelado. Enquanto esteve virado no Tejo, muito se especulou sobre a natureza da sua carga, chegando mesmo a falar-se do  ‘tesouro’ do «Tollan»; que, segundo os boatos, constaria de lingotes de ouro, de droga, etc. Na realidade, os 220 contentores do navio, continham insecticidas industriais (nomeadamente o muito tóxico ‘New Instant Killer’), amianto e outros produtos perigosos. Para além das 600 toneladas de combustível conservadas nos tanques do navio, para utilização da sua própria máquina. Felizmente para a população ribeirinha e para a sanidade do Tejo, esses produtos mantiveram-se (apesar da longa permanência na água) nos seus invólucros e foram removidos, intactos, após a operação de salvamento do «Tollan».

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