quinta-feira, 31 de outubro de 2013

«METEOR»

O iate «Meteor» (primeiro do nome) foi vendido em 1891, em segunda mão, ao imperador Guilherme II da Alemanha;  que pagou por ele bonita soma de 90 000 marcos-ouro. Construído em 1887 pelo estaleiro de D. & W. Henderson (situado numa margem do rio Clyde, na Escócia), este soberbo veleiro -primitivamente chamado «Thistle»- pertenceu a um consórcio de ricos 'sportmen', britânicos que, com ele, desafiaram o «Volunteer», representante dos Estados Unidos, durante as provas da Taça América, edição de 1887. Derrotado pelos velejadores ianques, o «Thistle» regressou à Europa, onde se ilustrou ao vencer várias e prestigiosas regatas. Este iate (desenhado por George Lennox Watson) deslocava 138 toneladas e media 33 metros de comprimento por 6,20 metros de boca. Depois da sua aquisição pelo monarca germânico, passou a usar o referido nome de «Meteor» e a representar a casa imperial nas regatas que, ao tempo, se disputavam entre a elite desportiva do Velho Mundo. As mais renhidas foram as que ocorreram -entre 1892 e 1895, durante as afamadas Semanas de Cowes- onde o «Meteor» teve como principal adversário o iate «Britannia», propriedade do príncipe de Gales, futuro rei Eduardo VII. A embarcação de bandeira alemã perdeu todas essas provas. O que levou o seu augusto e desiludido proprietário a cedê-lo (em 1895) à armada do seu país, onde o iate em apreço passou a ser usado no treino dos cadetes. O «Meteor» (I) foi desmantelado em 1921, já depois da tormenta que o seu dono desencadeou e que custou à Humanidade milhões e milhões de mortos.

«TRANSYLVANIA»

Este paquete de construção britânica (foi realizado, em 1914, pelos Scott, de Greenock, na Escócia) pertenceu primitivamente à Cunard, passando, em 1915, para a frota da Anchor Line.  Teve vida efémera, visto ter navegado menos de três anos. Apresentava 14 348 toneladas de arqueação bruta e as seguintes dimensões : 167 metros de comprimento, 20,30 metros de boca, 13 metros de calado. O seu sistema de propulsão a vapor (6 caldeiras mais 2 turbinas) estava acoplado a 2 hélices. Esse conjunto oferecia-lhe uma velocidade máxima de 17,5 nós.  Mobilizado -em consequência da guerra, que estalou na Europa em 1914- pela 'Royal Navy', este navio (que deveria transportar 1 380 passageiros na carreira do Atlântico norte) foi transformado em transporte de tropas, elevando-se a sua capacidade para 3 060 militares. A 3 de Maio de 1917, o «Transylvania» zarpou (sob escolta naval) do porto de Marselha para uma viagem que o deveria conduzir a Alexandria, no Egipto. Às 10 horas do dia seguinte, quando o navio britânico navegava no golfo de Génova, sofreu um primeiro ataque, recebendo um torpedo na casa das máquinas. E, 20 minutos mais tarde, foi atingido por novo projéctil, que o afundou instantaneamente. Quando se estabeleceu o balanço das vítimas, chegou-se à conclusão de que o submarino atacante -o «U-63», da marinha imperial alemã- havia provocado a morte de 10 membros da tripulação do «Transylvania, de 29 oficiais do exército e de 373 soldados. Os cadáveres de muitas dessas vítimas deram à costa em países como a Itália, França, Mónaco e Espanha. Onde foram dignamente sepultados. Um monumento comemorativo foi-lhes erigido no cemitério de Savona, onde repousam 85 corpos. Os despojos do malogrado paquete britânico foram descobertos recentemente (em Outubro de 2011) ao largo da ilha de Bergeggi, a uma profundidade de 630 metros.

«DENVER»

O «Denver» é um LPD ('Landing Platform Dock') da classe 'Austin', que foi lançado à água em Janeiro de 1965 pelos estaleiros navais da Lockheed, de Seattle. Integrado no ano de 1968 na armada dos E.U.A. é, de todos os seus navios, o mais antigo ainda em serviço. A sua desactivação e consequente desmantelamento estão programados para 30 de Setembro de 2014. O USS «Denver» (que usa o indicativo de amura LDP-9) é um navio com 17 425 toneladas de deslocamento e com 171 metros de comprimento por 25,20 metros de boca. A sua propulsão é assegurada por um sistema constituído por 2 caldeiras, 2 turbinas (a vapor), desenvolvendo uma potência global de 24 000 cv, e por 2 hélices. A sua velocidade máxima é de 21 nós. Este navio, que tem uma tripulação de 420 membros (incluindo 24 oficiais), pode acolher uma força de 900 fuzileiros navais completamente equipados, inclusivamente com os botes que usam nas suas operações anfíbias. O parque aeronáutico do «Denver» pode compreender, em simultâneo, 6 helicópteros CH-46 'Sea Knight'. O seu armamento, quase simbólico, reúne uma dúzia de armas, cujo calibre não ultrapassa os 12,7 milímetros. Destacado para o Extremo Oriente, o USS «Denver» desempenhou por lá um papel importante no famoso caso do «Columbia Eagle», cuja tripulação se amotinou em Março de 1970. Participou nas operações finais da guerra do Vietnam, inclusivamente na evacuação de Saigão, que pôs termo a um longo conflito, perdido pelos Estados Unidos. No seu palmarés figuram uma série de incidentes, tais como as suas colisões com o USS «New Orleans» (Dezembro de 1984) e com o USNS «Yukon» (Julho de 2000). Nestes últimos anos, o «Denver» foi direcionado para o serviço humanitário, tendo estado activo aquando do tufão Marakot (em Taiwan, 2009), do terramoto de Sumatra (Indonésia, 2009) e do Tufão Meji (Filipinas, 2010). Durante todo esse tempo em que se consagrou, com a sua guarnição, a cumprir missões de paz, o veterano USS «Denver» esteve baseado no porto japonês de Sasebo.

«LORD OF THE ISLES»

'Clipper' de bandeira britânica, construído em 1853 nos estaleiros navais da companhia John and Robert Scott, de Greenock (Escócia). Típico veleiro da corrida do chá, o «Lord of the Isles» era um navio de 770 toneladas, com 3 mastros aparelhados em galera. Com casco de aço, media 56,40 metros de comprimento por 8,50 metros de boca. O seu calado era 5,50 metros. Pertenceu à companhia armadora Shaw, Maxt & Cº, de Londres. Reputado pela sua velocidade, este autêntico lebréu dos mares bateu vários recordes nesse domínio : em 1853, durante a sua viagem inaugural, ligou Greenock a Sidney em apenas 70 dias de navegação; e em 1858 cobriu a distância que separa Xangai de Greenock em 89 dias. Famosa foi, igualmente, a corrida que disputou (em 1856) com o seu rival «Maury», que o «Lord of the Isles» venceu. Esta longa viagem, entre a China e Londres, constituíu um verdadeiro triunfo desportivo-comercial, pois, para além de ter redemonstrado, as excelentes qualidades náuticas do navio, proporcionou lucros importantes aos seus armadores; pelo facto de ter colocado no mercado londrino (a preços e favor) o primeiro chá do ano. Refira-se, a título de curiosidade, que este acontecimento serviu de base ao enredo de uma longa metragem cinematográfica -intitulada «The Yankee Clipper»- realizada em 1927 por Cecil B. DeMille. O «Lord of the Isles» perdeu-se, a 24 de Julho de 1862, na fase terminal de uma viagem que o veleiro efectuava da Europa para Hong Kong. O desastre foi causado por um incêndio que se declarou a bordo (num carregamento de fardos de feltro) e que a sua tripulação não conseguiu extinguir. Toda a equipagem e passageiros (30 pessoas) se salvaram, graças ao recurso aos  botes salva-vidas do navio, logrando atingir (apesar de dois ataques de piratas) o porto de Macau.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

«CONCORD»

Veleiro do século XVII, que -no ano de 1683- levou para a América do norte o primeiro contingente de colonos alemães (33 pessoas, pertencentes a 13 famílias distintas) que se instalou no Novo Mundo. O «Concord», navio de nacionalidade indefinida, partiu de Roterdão e fez escala em Londres, antes de se lançar na sua aventurosa travessia do oceano Atlântico. Semanas mais tarde, desembarcou os seus passageiros (todos eles originários da Renânia Vestefália e todos eles pertencentes a grupos religiosos perseguidos no seu país : menonitas e quakers) na região onde hoje se ergue a cidade de Filadélfia. Estes novos emigrantes foram recebidos, na sua nova terra, pelo próprio William Penn, que os aconselhou a fundar ali uma colónia. Conselho que eles acataram, lançando as bases da futura Germantown, que está, nos nossos dias, integrada na área urbana da supracitada metrópole. Não se conhecem as características físicas pormenorizadas deste navio histórico. Mas é provável que as ditas não diferissem muito das sugeridas pelo selo comemorativo emitido (simultaneamente, pelas administrações postais alemãs e estadunidenses em 1983) por ocasião do tricentenário da chegada dos pioneiros. Esse selo é o que aqui acompanha o texto consagrado a este veleiro. Um navio que, para os norte-americanos de origem alemã, tem a mesma importância simbólica que é dada ao famoso «Mayflower» pelos americanos de raiz britânica.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

«WORTH»

Este couraçado da marinha imperial alemã foi um dos 4 navios da classe 'Brandenburg'. Construído em 1892 pelos estaleiros Germaniawerft, de Kiel, o «Wörth» ficou a dever o seu nome a uma renhida batalha da Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871; que acabou com uma vitória dos germânicos sobre os exércitos de Napoleão III e com a anexão, pela Alemanha, de vários territórios fronteiriços. Este couraçado (fortemente blindado) deslocava 10 500 toneladas em plena carga e media 115,70 metros de comprimento por 19,50 metros de boca. O seu calado atingia 7,50 metros. A propulsão do navio em apreço era assegurada por máquinas a vapor de tripla expansão, sistema que desenvolvia uma potência de 10 000 ihp; força que proporcionava ao «Wörth» uma velocidade máxima de 17 nós e que lhe garantia uma autonomia de 4 500 milhas náuticas, com andamento reduzido a 10 nós. Do seu armamento principal constavam 6 canhões de 280 mm, 8 de 105 mm, 8 de 88 mm e 3 tubos lança-torpedos de 450 mm. A sua guarnição era constituída por 568 homens, incluindo o corpo de oficiais. Do seu historial ressaltam os seguintes factos : em 1897, fez parte da esquadra alemã que participou, em Inglaterra, na grande parada naval em honra da rainha Vitória; em Novembro de 1899 chocou com uns rochedos que lhe causaram um rombo importante no casco e que o obrigaram a submeter-se a importantes reparações em Wilhelmshaven; aquando da Guerra dos Boxers, fez parte da força naval enviada pelo 'kaiser' à China. Em 1901, de volta à Europa, após esse longo cruzeiro transoceânico, o «Wörth» entrou em grandes reparos, durante os quais recebeu novo sistema propulsivo e outros benefícios. Durante o primeiro conflito generalizado, entre 1914 e 1916, este navio, já tecnicamente ultrapassado, cumpriu missões de importância secundária, tais como as ligadas à defesa costeira. E, em 1917, foi desactivado, passando a ser utilizado como quartel flutuante. Foi desmantelado, em 1919, no porto de Dantzig.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

«OLIVEBANK»

O «Olivebank» era uma esguia barca de 4 mastros, construída (em aço) no ano de 1892 pelo estaleiro da empresa Mackie & Thompson Cº, de Glásgua. O seu primeiro armador foi a firma Andrew Weir & Cº., sedeada em Govan, na Inglaterra. Este soberbo navio apresentava uma arqueação bruta de 2 823 toneladas e media 102,40 metros de longitude por 13,10 metros de boca. Vocacionado para o transporte de carga geral, o veleiro em apreço navegou por todos os mares do mundo, cumprindo, normalmente, a sua missão de navio de trabalho. Assinale-se, porém, um incêndio acidental ocorrido, em 1911, em Santa Rosalia, no México (quando o navio se encontrava carregado de carvão), que não teve consequências gravosas. Depois do supracitado proprietário britânico, o navio mudou de mãos cinco vezes, tendo quatro dos seus donos intermediários sido armadores de nacionalidade norueguesa. Um deles -J. Lorentzen- mudou o nome do veleiro (entre 1922 e 1924) para «Caledonia». O último dos donos do navio foi o finlandês Gustaf Erikson, que, em 1924, lhe restituiu o designativo de origem. Designativo que esta barca usou até 8 de Setembro de 1939, data em que chocou com uma mina alemã ao largo da península da Jutlândia. 14 homens da sua tripulação perderam a vida e 7 outros puderam escapar ao naufrágio, socorrendo-se da ajuda de um escaler. Curiosidade : o «Olivebank» era gémeo do «Cedarbank», que teve, também ele, um destino trágico, visto ter sido torpedeado, em 1917, no mar do Norte, pelo submarino germânico «U-100».  Ocorrência que provocou a morte dos 26 homens da equipagem do veleiro.