Veleiro (barca de 4 mastros) pertencente à frota do famoso armador francês A. D. Bordes. Este navio foi construído pelos Chantiers de la Loire de Nantes, no ano de 1897, e considerado um dos melhores 'cap-horniers' do seu tempo. Tinha casco em aço e apresentava uma arqueação bruta de 3 109 toneladas. As suas dimensões eram as seguintes : 102,05 metros de comprimento fora a fora por 13,70 metros de boca e o seu calado era de 7,30 metros. Os seus porões tinham uma capacidade de 6 325 m3 e os seus mastros podiam arvorar 4 300 m2 de velas. O veleiro «La Loire» foi concebido para o tráfego comercial entre os portos europeus (franceses, nomeadamente) e os portos americanos do oceano Pacífico. No decorrer da sua carreira, que durou, efectivamente, até 1921, realizou 30 viagens completas de longo curso, durante as quais trouxe, essencialmente, fosfatos do Chile para a Europa. A sua vida foi das mais tranquilas, visto nunca ter sido vítima de incidentes dignos de menção. Inclusivamente durante os tempos conturbados da Grande Guerra, que este veleiro atravessou incólume. A única história que marca a sua passagem pelos mares e oceanos que percorreu, é uma história feliz, já que teve a ver com o salvamento dos 26 náufragos do navio inglês «Dalgonar» (de Liverpool), que a sua tripulação salvou -em Outubro de 1913- ao largo das costas chilenas. Em 1924, atingido pelo limite de idade, este magnífico veleiro da casa Bordes foi vendido como sucata e desmantelado.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
«LA LOIRE»
Veleiro (barca de 4 mastros) pertencente à frota do famoso armador francês A. D. Bordes. Este navio foi construído pelos Chantiers de la Loire de Nantes, no ano de 1897, e considerado um dos melhores 'cap-horniers' do seu tempo. Tinha casco em aço e apresentava uma arqueação bruta de 3 109 toneladas. As suas dimensões eram as seguintes : 102,05 metros de comprimento fora a fora por 13,70 metros de boca e o seu calado era de 7,30 metros. Os seus porões tinham uma capacidade de 6 325 m3 e os seus mastros podiam arvorar 4 300 m2 de velas. O veleiro «La Loire» foi concebido para o tráfego comercial entre os portos europeus (franceses, nomeadamente) e os portos americanos do oceano Pacífico. No decorrer da sua carreira, que durou, efectivamente, até 1921, realizou 30 viagens completas de longo curso, durante as quais trouxe, essencialmente, fosfatos do Chile para a Europa. A sua vida foi das mais tranquilas, visto nunca ter sido vítima de incidentes dignos de menção. Inclusivamente durante os tempos conturbados da Grande Guerra, que este veleiro atravessou incólume. A única história que marca a sua passagem pelos mares e oceanos que percorreu, é uma história feliz, já que teve a ver com o salvamento dos 26 náufragos do navio inglês «Dalgonar» (de Liverpool), que a sua tripulação salvou -em Outubro de 1913- ao largo das costas chilenas. Em 1924, atingido pelo limite de idade, este magnífico veleiro da casa Bordes foi vendido como sucata e desmantelado.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
«EXCALIBUR»
Construído na Nova Jérsia em 1930, pelos estaleiros da firma New York Shipbuilding Company of Camden, este transatlântico fez parte de uma frota designada 'The Four Aces', pertencente ao armador American Export Lines; frota que foi utilizada numa linha ligando Nova Iorque a vários portos da Europa, nomeadamente do mar Mediterrâneo. Os seus gémeos da 'Four Aces', receberam os nomes de «Excambion», «Exochorda» e «Exeter». Antes que os Estados Unidos se deixassem envolver na 2ª Guerra Mundial, este navio fez escalas em Lisboa, levando para as Américas (entre outros passageiros) muitos refugiados judeus. Foi, aliás, nessa altura (em 1940) que este navio foi palco de um inaudito caso de contrabando de obras de arte, que culminou com a intervenção da 'Royal Navy' e com a apreensão, nas Bermudas, da mercadoria ilegal. O «Excalibur», com 9 360 toneladas de arqueação bruta, media 140 metros de comprimento por 19 metros de boca e tinha um calado de 8 metros. As sua máquinas a vapor (turbinas) permitiam-lhe vogar à velocidade máxima de 16 nós. Este navio podia transportar várias centenas de passageiros, dos quais 125 em 1ª classe. A sua carreira civil terminou em 1942, ano em que foi cedido à armada dos Estados Unidos para servir como transporte de tropas. Depois das necessárias transformações e de se ter procedido ao seu armamento, o navio passou a chamar-se «Joseph Hewes» e a usar o identificativo de amura AP-50. O antigo paquete da American Export cumpriu a sua primeira missão militar no quadro da Operação Torch, levando para a frente do norte de África um reforço de 1 150 militares da 3ª Divisão do exército americano; que desembarcou em Fedhala no dia 8 de Novembro de 1942. Mas, no dia 7 de Dezembro desse mesmo ano, quando encetava a sua viagem de regresso à costa leste dos Estados Unidos, o ex-«Excalibur» foi interceptado pelo submarino hitleriano «U-173» e afundado por torpedeamento. No seu provocado naufrágio pereceu uma centena de membros da tripulação. E entre as vítimas contou-se o próprio capitão do navio.
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
«MARCEAU»
Este navio integrou a armada francesa entre 1946 e 1958. Era o antigo contratorpedeiro «Z 31» da marinha de guerra hitleriana; que, capturado intacto, foi atribuído aos gauleses no quadro das compensações de guerra. Construído nos estaleiros da firma Deschimag, de Bremen, este navio foi lançado à água no dia 15 de Maio de 1941, mas só integrou os efectivos da 'Kriegsmarine' em Abril do ano seguinte. Este tipo de 'destroyrs' pertenceu à chamada classe '1936A`, chamada pelos Aliados como classe 'Narvik'; que era, aliás, imprecisa, pois chegou a designar (no campo dos inimigos da Alemanha) navios de vários modelos. O «Z 31» chegou a participar em várias operações bélicas, mas saiu ileso do segundo conflito generalizado. Deslocava 3 691 toneladas (em plena carga) e media 127 metros de longitude por 12 metros de boca. O seu calado era de 3,92 metros. O seu sistema propulsor desenvolvia 71 900 cv, o que lhe garantia 36 nós de velocidade máxima e um raio de acção que se aproximava (com andamento reduzido a 19 nós) das 30 000 milhas náuticas. O seu armamento principal era constituído por 3 canhões de 150 mm, 1 de 105 mm, 8 armas AA de 37 mm, 8 tubos lança-torpedos de 533 mm, 4 calhas de lançamento de morteiros e por 60 minas anti-navio. No tempo em que este navio servia a armada hitleriana, a sua guarnição era composta por 265 homens, 14 dos quais pertenciam ao quadro de oficiais. Os franceses deram-lhe o nome de «Marceau» e o indicativo de amura D601. Colocaram-no na base de Cherburgo e procederam a bordo (antes de o tornarem operacional) a várias modificações; nomeadamente no que respeitava a sua artilharia pesada. Este navio foi desmantelado após a sua retirada do activo, em 1958. Curiosidade : a ilustração aqui incluída (da autoria dos desenhadores da marca de 'kits' Heller), mostra o navio tal como ele era em meados dos anos 50 do passado século.
«RAINHA»
As fontes informativas sobre este navio português da segunda metade do século XV são praticamente inexistentes. Daí este texto -sobre a nau «Rainha»- se apoiar, exclusivamente, no que dela disse o historiógrafo Mário Domingues na sua obra «D. João II, o Homem e o Monarca». Assim chamado em honra de D. Leonor, sua esposa, este navio «com 1 000 toneladas de capacidade» terá sido um dos maiores, mais fortes e mais belos que alguma vez sulcaram os mares. Estava armado com 36 grandes bombardas e com 180 peças de artilharia ligeira. Nunca chegou a fazer expedições longínquas, resumindo-se a sua carreira a viagens efectuadas entre Lisboa e alguns portos do Mediterrâneo. Nomeadamente Tunis e Orão, onde era fácil estabelecer contactos com tripulações e viajantes em proveniência do Oriente e colher deles informações preciosas sobre essa região distante e sobre as condições de navegação no oceano Índico. Isto, em previsão de uma já projectada viagem às Índias, pela futura rota do cabo da Boa Esperança. Segundo o autor supracitado, o «Rainha» também trazia para a capital portuguesa, aquando dessas suas viagens ao mar Mediterrâneo, tapetes (cuja indústria el-rei D. João II queria implementar no nosso país) e artigos locais que serviriam de permuta com as tribos negro-africanas com as quais os Portugueses já mantinham relações comerciais profícuas. Ainda segundo Mário Domingues, no livro referido, a tripulação do «Rainha» era selecionada, de modo a reunir os marinheiros do Reino «mais vivos e cultos, por forma a criarem simpatias e a prestigiarem o nome do país». Curiosidade : a imagem anexada não é representativa do «Rainha». Mostra, isso sim, uma nau portuguesa da mesma época (fins do século XV/inícios do século XVI).
domingo, 1 de dezembro de 2013
«TAUBATÉ»
Navio mercante (de 5 099 toneladas), que navegou, de 1917 até 1954, com bandeira brasileira. Foi construído em 1905, na Alemanha, nos estaleiros navais da firma Bremer Vulkan Vegesacker, para a Lloyd germânica (Norddeutsche Lloyd). «Franken» foi o seu nome de baptismo e o designativo usado até 1917, ano em que foi confiscado pelo governo brasileiro, em consequência da entrada em guerra do Brasil contra os Impérios Centrais. Este navio media 124,80 metros de comprimento por 16,10 metros de boca e estava equipado com 1 máquina a vapor de quádrupla expansão, que lhe proporcionava uma velocidade de cruzeiro de 12 nós. Integrado na frota do Lloyd brasileiro, o navio em apreço recebeu o nome de «Taubaté» e foi colocado nas suas linhas internacionais. No dia 22 de Março de 1941, este navio rumava -com um carregamento de batatas, vinho e lã- de Chipre para Alexandria (no Egipto), quando, inesperadamente, foi bombardeado por um avião da 'Luftwaffe'; que não logrando atingi-lo dessa maneira, varreu o convés do «Taubaté» com rajadas de metralhadora, provocando a morte de um dos membros da tripulação e causando ferimentos, mais ou menos graves, em 13 outros. Isto, apesar do navio brasileiro estar perfeitamente identificado com bandeiras nacionais (nomeadamente duas de grandes dimensões pintadas no casco) e do seu comandante ter mandado hastear, durante a agressão, uma bandeira branca. Apresentada queixa junto à embaixada alemã no Rio de Janeiro, a reclamação brasileira ficou sem resposta. O «Taubaté» foi o primeiro de todos os navios brasileiros a ser agredido pelas forças nazis durante o segundo conflito generalizado. Sobreviveu à guerra e perdeu-se, por encalhe, no Recife, a 3 de Julho de 1954. Curiosidades : o nome brasileiro do navio é o de um município do estado de São Paulo; na impossibilidade de encontrar uma ilustração do «Taubaté» ou do «Franken», que devem ser raríssimas, aqui fica (em seu lugar) reprodução das bandeiras arvoradas pelo navio na sua segunda fase de vida, o pavilhão nacional e a bandeira do Lloyd Brasileiro.
«COLUMBIA EAGLE»
Este navio mercante pertenceu à classe 'Victory' (da qual foram construídos centenas de exemplares), um dos modelos de cargueiros que, pouco a pouco, foram substituindo nas frotas comerciais os celebérrimos 'Liberty Ship' da Segunda Guerra Mundial. «O «Columbia Eagle» foi construído, em 1945, para os serviços da armada dos E.U.A., nos estaleiros da firma Oregon Shipbuilding Corporation, de Portland. Usou o primitivo nome de «Pierre Victory», até que -em 1968- foi vendido a uma empresa civil, a Columbia Steamship Company», que lhe alterou o nome. A celebridade deste navio advém do facto de ter sido o teatro de um inaudito motim. Que ocorreu em águas do Extremo Oriente, em Março de 1970. Estava-se, então em plena guerra do Vietnam e o navio (fretado pelo Serviço de Transporte Marítimo Militar dos Estados Unidos) transportava um carregamento de bombas incendiárias (de napalm) destinadas à aviação militar norte-americana a operar na península indochinesa. Dois homens armados, membros da tripulação do navio e contestatários da política externa do seu país, obrigaram o comandante do «Columbia Eagle» a rumar para o porto cambojano de Sihanoukville, depois de terem abandonado à deriva, no mar alto, 24 marinheiros do cargueiro. Chegados ao seu novo destino, os amotinados solicitaram asilo político ao governo de Phnom Penh, que lho concedeu. Mas, passadas poucas semanas, devido à forte pressão exercida pelas autoridades americanas, o navio foi devolvido ao seu armador e um dos rebeldes (Alvin L. Glatkowski) entregue à justiça dos E.U.A., que o condenou a uma pena de prisão. Quanto ao seu companheiro de aventura, Clyde W McKay Jr., esse logrou escapar à extradição, juntando-se (ao que relatou a imprensa do tempo) à guerrilha dos Khmers Vermelhos. A sua morte seria confirmada anos mais tarde. Aquele que foi o primeiro motim ocorrido num navio ianque em mais de 150 anos de história marítima, mobilizou enormes recursos (sobretudo navais) e ditou a presença, por muitos anos, da armadas dos Estados Unidos naquela zona do globo. Desconhecemos o destino final do «Columbia Eagle». Presumimos, no entanto, que terá cumprido o seu tempo de vida a transportar mercadoria diversa entre diferentes portos do mundo. E que, quando se tornou obsoleto, foi desmantelado sem remissão, como acontece a todo o ferro-velho, nomeadamente navegante. Características físicas dos navios do tipo 'Victory' : 15 200 toneladas de deslocamento; 139 metros de comprimento; 19 metros de boca; 7,60 metros de calado. Com propulsão assegurada por 1 máquina a vapor e por 1 hélice, este navio podia navegar à velocidade de 15 nós.
«SAM BRAZ»
Navio-tanque da Armada Portuguesa, cujos efectivos integrou em 1942. Foi construído pelo Arsenal do Alfeite. Durante os duros anos da Segunda Guerra Mundial, foi o único navio português a assegurar o transporte dos combustíveis que abasteceram o nosso país. Na sua configuração primitiva, o «Sam Braz» deslocava 7 375 toneladas e media 107,75 metros de longitude por 15,15 metros de boca. O seu calado era de 5 metros. A sua única máquina (acoplada a 1 hélice) desenvolvia uma potência de 2 820 bhp e autorizava-lhe uma velocidade de cruzeiro de 13 nós. Em 1942, contava com uma tripulação de 41 membros. No ano de 1967 esta unidade foi objecto de grandes transformações, que a converteram em navio de apoio logístico. O antigo petroleiro foi, então, equipado com novas valências, nomeadamente com um hospital, alojamentos suplementares para a marinhagem e especialistas (a sua guarnição passou, então, para 100 homens), pista para receber e operar 1 helicóptero, 2 lanchas de desembarque pequenas, etc. As suas capacidades de transporte de líquidos passaram a ser as seguintes : 3 000 toneladas de fuel, 40 toneladas de gasolina 'aviação', 50 toneladas de lubrificantes e 100 toneladas de água potável. O nome do navio também foi alterado para «São Brás» (para respeitar a grafia do tempo) e foi-lhe conferido o designativo de amura A 523. Em 1970, o «São Brás» -que foi chamado a participar nas guerras coloniais- recebeu 1 peça de artilharia de 76 mm, 2 AA de 40 mm e mais 2 outras antiaéreas de 20 mm. Este navio esteve em serviço operacional nas águas de Moçambique, aquando do conflito armado com a FRELIMO. Curiosidades : esta unidade da Armada, que foi retirada do activo em 1976 e desmantelada posteriormente, perdeu -depois da sua modernização- 1 000 toneladas de deslocamento. A fotografia anexada (que pertence às colecções do Museu de Marinha) mostra o navio na sua segunda fase de vida.
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