sábado, 10 de agosto de 2013

«ASTROLABE»

O navio «Astrolabe» -que se chamou, precedentemente, «Autruche»- foi construído num estaleiro naval do Havre em 1781. Adquirido pela armada francesa, este navio mercante foi transformado, armado com algumas peças de artilharia e integrado na marinha de guerra de Luís XVI, onde recebeu a classificação de fragata e o seu derradeiro nome. Deslocava cerca de 500 toneladas e media 38,70 metros de comprimento por 8,50 metros de boca e 5 metros de calado. Foi guarnecido com uma equipagem de 100 homens. Integrou uma frota de dois navios (o outro chamou-se «Boussole») colocada sob o comando supremo de Jean-François Galaup, conde de La Pérouse; que o rei de França (admirador das viagens científicas organizadas pelos britânicos) mandou numa viagem de exploração à volta do mundo. O «Astrolabe» teve por capitão, durante essa viagem que terminou tragicamente, Paul Antoine Fleuriot de Langle. Os dois navios da expedição embarcaram vários cientistas e artistas, que deveriam interpretar a natureza das descobertas a fazer e ilustrar as peripécias da projectada viagem de circum-navegação. Depois de um longo périplo que levou o «Astrolabe» (mái-lo «Boussole») até paragens tão distantes como a ilha de Páscoa, o Hawai, Macau, as Filipinas a Coreia e o litoral da Sibéria, a expedição dirigiu-se para sul, onde se perdeu o seu rasto. A descoberta dos restos do «Astrolabe» e do outro navio da esquadra de La Pérouse só seriam descobertos muitos anos mais tarde nas costas da ilha de Vanikoro, nas Novas Hébridas. Presume-se que estes navios franceses se tenham afundado ali na sequência de uma tempestade e que os sobreviventes do duplo naufrágio tenham sido massacrados pelas populações locais. Curiosidades : o grande navegador Dumont d'Urville, que comandou uma das expedições para encontrar os restos dos veleiros de La Pérouse, batizou os seus dois navios com os nomes de «Astrolabe» e «Boussole»; o funesto destino da expedição de La Pérouse é tema de um capítulo de «20 000 Mil Léguas Submarinas», um dos fantásticos romances de Júlio Verne.

«ATLÂNTICO»

Este navio misto (vapor/velas) foi o primeiro adquirido para a frota da Empresa Insulana de Navegação, companhia de transportes marítimos que, em Dezembro de 1871, sucedeu à Lusitana, uma sucursal portuguesa da firma britânica Bayley & Leetham. Este navio passou a garantir uma carreira regular entre Portugal continental e o arquipélago dos Açores, em conformidade com um contrato estabelecido entre o seu armador e o Estado. O «Atlântico», que se apresentava com uma arqueação bruta de 1 032 toneladas, media 67,60 metros de comprimento por 8,10 metros de boca. Foi construído nos estaleiros J. Key, de Kinghorn, na Grã-Bretanha, que o lançaram à água no dia 28 de Junho de 1866. Propriedade da Union Steam Ship Company, foi registado pela primeira vez na capitania do porto de Southampton, usando o primitivo nome de «Dane». Quando passou a hastear o pavilhão azul e branco do Reino de Portugal, o navio estava preparado para acolher 110 passageiros em condições de conforto relativamente boas. O sistema propulsivo do «Atlântico» era constituído por 1 máquina a vapor e por 1 hélice, mas também pelo pano redondo e latino arvorado pelos seus 2 mastros. O seu historial (na realidade, pouco conhecido) refere uma colisão no estuário do Tejo -em 14 de Maio de 1877- com uma embarcação que não conhecemos. O «Atlântico» da E.I.N. manteve-se na carreira dos Açores até 1877, ano em que foi substituído por um navio mais moderno.

«SANTARÉM»

Este navio mercante (passageiros/carga) pertenceu à frota da companhia de navegação alemã Norddenstcher Lloyd, onde usou o primitivo nome de «Eisenach». Foi construído em Vegesack, pela firma Bremer Vulkan, que o lançou à água no dia 23 de Junho de 1909. Colocado nas linhas do Mediterrâneo e da América do sul (Bremen-Buenos Aires, via Boulogne-sur-Mer, Lisboa, Funchal, portos brasileiros), este navio refugiou-se em 1914 no porto de Recife, para evitar a sua captura ou o seu afundamento pelas unidades da marinha de guerra britânica. Ali esteve inactivo até 1917, ano em que foi apresado pelas autoridades locais. Depois de ter servido algum tempo nas linhas costeiras do Brasil, este navio foi alugado à Flotte d'État (propriedade do governo francês), que o utilizou -sob bandeira brasileira- na linha Marselha-Nova Iorque. Em 1922 o «Santarém» foi devolvido ao Lloyd Brasileiro. Em 1947, já depois do armistício da 2ª Guerra Mundial, este navio foi, de novo, alugado ao estrangeiro, desta feita à casa armadora Itália-Società di Navigazione. No seu historial consta um acidente, ocorrido em 1952 ao largo da cidade de Cabo Frio, durante o qual este navio afundou o transporte militar LCT «Rio Anil». Em 1960, o «Santarém», com mais de meio século de uso, foi vendido a um industrial de ferro velho e desmantelado (em 1962) num estaleiro do Rio de Janeiro. A sucata do navio foi vendida à Companhia Siderúrgica Nacional para reaproveitamento do aço. Principais características do «Santarém» : 6 757 toneladas de arqueação bruta; 127,90 metros de comprimento por 16,53 metros de boca. Propulsão assegurada por 2 máquinas a vapor de quádrupla expansão e por 2 hélices. Potência global de 3 250 cv. 11 nós de velocidade de cruzeiro. Capacidade para receber 950 passageiros, 50 dos quais em 1ª classe. Este navio teve um gémeo baptizado com o nome de «Coburg» e ambos gozaram da reputação, no tempo em que navegavam para a Lloyd germânica, de oferecer um conforto muito apreciado pelos seus passageiros. Eram tidos, além disso, como navios com qualidades náuticas excepcionais.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

«SCHLESWIG-HOLSTEIN»

Navio da armada imperial alemã e, posteriormente, da marinha de guerra nazi. Famoso por ter disparado o primeiro tiro de canhão da 2ª Guerra Mundial. O «Schleswig-Holstein» foi um dos cinco couraçados pré-'Dreadnought' -da classe 'Deutschland'- construídos no início do século XX. Foi lançado à água a 17 de Dezembro de 1906 pelos estaleiros Germaniawerft, de Kiel. Mas só em 1908 foi integrado na frota, numa altura em que a sua tecnologia já era considerada obsoleta. Ainda assim, tomou parte (integrado na 2ª Esquadra de Alto Mar) nos combates da Grande Guerra, nomeadamente na mortífera batalha da Jutlândia. Após esse formidável embate contra os navios da 'Royal Navy', este couraçado foi retirado da primeira linha e comissionado para executar patrulhas na foz do rio Elba até 1917. Ano em que foi retirado do serviço activo. Por disposição do Tratado de Versalhes, o «Schleswig-Holstein» foi um dos raros vasos de guerra que a Alemanha vencida pôde conservar. Modernizado por três vezes (1926, 1931 e 1936), esta unidade serviu, até 1939, como navio-escola e como bateria flutuante. No dia 1º de Setembro de 1939 -data oficial do início do segundo conflito generalizado- o «Scheleswig-Holstein», que se encontrava em visita de cortesia ao porto de Dantzig, bombardeou o depósito de armamento polaco da Westerplatte. E três centenas de membros da sua guarnição (entre os quais se encontravam 225 fuzileiros) tomaram parte na tomada da cidade. Colocado, de novo, na reserva, este couraçado foi gravemente atingido, a 18 de Dezembro de 1944, pela aviação britânica e afundado, pela sua equipagem, aquando da chegada à Alemanha das tropas soviéticas. Recuperado pelos russos, o navio hasteou a bandeira da U.R.S.S. por um período bastante curto. Terminou os seus dias como navio-alvo da armada vermelha em 1955. O «Schleswig-Holstein» apresentava as seguintes características antes de sofrer a sua primeira modernização : 14 218 toneladas de deslocamento em plena carga; 127,60 metros de comprimento por 22,20 metros de boca. O seu sistema propulsivo compreendia 3 máquinas a vapor de tripla expansão e 12 caldeiras; conjunto que desenvolvia uma potência de 19 330 cv e que lhe permitia navegar à velocidade máxima de 18 nós e de dispor de um raio de acção de 4 800 milhas náuticas. A sua blindagem variava dos 40 mm de espessura no convés até aos 400 mm na torre de comando. Do seu armamento constavam 4 canhões de 280 mm, 14 de 170 mm, 22 de 88 mm e 6 tubos lança-torpedos de 450 mm. A sua guarnição era composta por 743 homens, dos quais 35 pertenciam ao corpo de oficiais.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

«HAMMANN»»

Este navio era um contratorpedeiro da armada dos Estados Unidos, pertencente à classe 'Sims'. Foi construído pelos estaleiros da empresa Federal Shipbuildind and Drydock Cº, de Newark, que procedeu ao seu lançamento no dia 11 de Agosto de 1939. O seu patrono foi o tenente aviador Charles Hammann, da aeronaval, que morreu em combate durante a Grande Guerra e que recebeu, pelos seus actos heróicos e a título póstumo, a prestigiosa Medalha de Honra do Congresso. A sua viúva foi a madrinha do navio em apreço. O «Hammann» (que ostentava o número de amura DD-412) deslocava 1 570 toneladas e media 106 metros de comprimento por 11 metros de boca. Era um navio muito veloz, podendo atingir pontas da ordem dos 35 nós, graças ao seu sistema propulsor que desenvolvia uma potência de 50 000 cv. A sua autonomia era de 6 500 milhas náuticas com andamento limitado a 12 nós. A sua guarnição era composta por 192 oficiais, sargentos e praças. Do armamento principal deste navio constavam 4 peças de 127 mm, 8 tubos lança-torpedos de 533 mm e dispositivos para arremesso de cargas de profundidade. Durante os seus dois primeiros anos de vida operacional, o «Hammann» cumpriu missões de patrulha das costa dos E.U.A., tanto no Atlântico como no Pacífico. Quando a base aeronaval de Pearl Harbour foi atacada -a 7 de Dezembro de 1941- pelos japoneses, este navio, que se encontrava na Islândia, foi enviado para o teatro de operações e integrou a 'Task Force' 17 colocada sob as ordens do almirante Fletcher. Participou (em Maio de 1942) na renhida batalha do Mar do Coral (da qual saiu incólume) e um mês depois, nos combates de Midway. Durante os quais prestou socorro à tripulação do porta-aviões «Yorktown», destruído pelos nipónicos. O mesmo submarino japonês («I-168») que afundou o supracitado navio, também causou a perda do «Hammann», que foi atingido à popa por um torpedo, que o partiu em dois. O contratorpedeiro norte-americano, que explodiu, soçobrou em apenas 4 minutos, desaparecendo nas profundezas do oceano descoberto e baptizado por Magalhães com 80 membros da sua equipagem. O seu comandante, que sobreviveu à tragédia, foi condecorado e o navio (desaparecido) recebeu do Comando Naval duas 'Battle Stars'.

«DUMONT D'URVILLE»

Este navio é um 'batral' (unidade ligeira de transporte) da armada francesa e pertence à classe Champlain. Foi lançado à água em Novembro de 1981 pelos estaleiros navais de Grand Quevilly (Chantiers de Normandie), empresa que realizou vários navios similares para a marinha nacional, mas também para as armadas de Marrocos e da Costa do Marfim. Tal como os seus congéneres, o «Dumont d'Urville» desloca 1 400 toneladas (em plena carga) e mede 80 metros de comprimento por 13 metros de boca. O seu calado é de 3,50 metros. De natureza anfíbia, este navio é capaz de encalhar voluntariamente numa praia para descarregar veículos militares (tanques, camiões, etc) e material diverso. A sua propulsão é assegurada por 2 máquinas diesel e por 2 hélices de passo variável, que lhe garantem uma velocidade de cruzeiro de 14 nós e uma autonomia de 4 500 milhas náuticas. O «Dumont d'Urville» dispõe de artilharia defensiva, constituída por 2 peças AA de 20 mm, por 2 metralhadores de 12,7 mm e por 3 outras de 7.62 mm. A sua guarnição é de 55 homens (oficiais incluídos), mas o navio pode receber uma companhia de 120 combatentes, para além dos seus veículos. Tem pista para helicópteros. Este 'batral' está vocacionado para as operações interarmas, acolhendo, frequentemente, a bordo tropas do exército. Toda a vida operacional deste navio (cujo indicativo de amura é L9032) se tem desenrolado nos departamentos e territórios ultramarinos da França : Polinésia, Nova Caledónia, Antilhas, mas também -no decorrer de missões humanitárias- em Haiti e noutros países estrangeiros. A sua base actual, é (desde 2010) Fort-de-France, na ilha da Martinica. Os navios deste tipo chegaram ao fim da sua carreira operacional e estão, progressivamente, a ser retirados do activo.  Curiosidades : o nome deste navio presta homenagem a um ilustre navegador francês dos séculos XVIII e XIX; o responsável por este blogue conhece bem este navio e outros da sua classe, por ter colaborado na sua construção.

«PATRIS»

Vapor de rodas construído em 1860 nos estaleiros de Charles Lungley & Company, de Londres. Com casco de aço, o «Patris» deslocava 641 toneladas e media 66,20 metros de comprimento por 8,30 metros de boca. Estava equipado com 2 máquinas 'compound', que desenvolviam uma potência global de 120 hp, e com 2 mastros que arvoravam pano redondo e latino, numa configuração a que os ingleses chamam 'barquentine'. A altaneira chaminé (que culminava quase a meio mastro) estava situada, sensivelmente, a meia nau.  Este navio, que se chamou primitivamente «King Otton», foi vendido à companhia de navegação grega Hellenic Steam Shipping & Cº, de Syra e navegou, essencialmente, no Mediterrâneo oriental. A 21 e Fevereiro de 1868, o «Patris» (concebido para o transporte e passageiros e frete) encalhou nuns rochedos junto da baía de Kunturas, na ilha de Kea (Ciclades), e foi, pouco depois arrastado para o largo, onde naufragou. O acidente foi causado por intenso nevoeiro, que desnorteou o piloto do navio. O seu casco (fracturado em duas partes) e outros destroços foram encontrados a 55 metros de profundidade. Várias relíquias do navio foram emergidas e estudadas. E um documentário (premiado internacionalmente) foi rodado sobre as visitas dos arqueólogos submarinos aos destroços do «Patris». O filme em questão foi feito com a colaboração do Museu do Património  Industrial, do município de Syros, do Instituto Nacional de Pesquisa e do Departamento de Antiguidades Subaquáticas, sob a supervisão do Ministério da Cultura da Grécia.