segunda-feira, 17 de junho de 2013

«FARLEY MOWAT»

Adquirido em Agosto de 1996 pelo conhecido movimento ecologista Sea Shepherd Conservation Society, este navio -com 657 toneladas de arqueação bruta e com 52,40 metros de comprimento por 9,30 metros de boca- já usou, no seio da referida organização, os nomes de «Sea Shepherd III» e de «Ocean Warrior». Trata-se, na realidade, de um navio construído em 1956 para o ministério norueguês das pescas, que o utilizou em missões de fiscalização e pesquiza. Destinado a operar nos mares gélidos da Europa setentrional, este navio foi provido de capacidades quebra-gelos, qualidade que lhe permite intervir nas águas polares. O seu único motor diesel desenvolve uma potência de 1 400 cv e o seu hélice (de passo variável) está protegido por um dispositivo do tipo 'Kort'. A sua velocidade máxima é de 10 nós. Este navio esteve, sucessivamente, registado na Noruega, no Canadá, em Belize, nos Países-Baixos e, de novo, no Canadá. O seu nome evoca uma conhecida personalidade (escritor e ambientalista), que, há muito, advoga a defesa e o bem-estar do mundo animal. O «Farley Mowat» começou a operar ao largo da Costa Rica, contra as actividades ilegais de pesca intensiva. Também foi visível a acção que desenvolveu na Antárctida e nos mares boreais do Canadá, onde, de corpo presente, se manifestou contra a captura abusiva de baleias, de focas e de outras espécies ameaçadas da fauna marinha. Este navio do movimento Sea Shepherd foi apresado, no ano de 2008, nas águas da Terra Nova, pelo Departamento Canadiano de Pesca e Oceanos. O motivo invocado pelos captores do navio teve a ver, ao que parece, com uma dívida de manutenção portuária. Toda a gente sabe, porém, que a má vontade das autoridades internacionais está ligada aos incómodos provocados pela S.S.C.S. aos grandes monopólios piscatórios e de caça aos cetáceos e a outras espécies em vias de extinção. O «Farley Mowat» foi alvo, nestes últimos anos, de várias tentativas de venda. Mas, por enquanto, permanece ancorado no porto canadiano de Lunenburg (Nova Escócia). O mais célebre dos seus capitães foi Paul Watson (natural de Toronto), fundador da Sea Shepherd Conservation Society, organização que tem a sua sede internacional na cidade de Edimburgo.

domingo, 16 de junho de 2013

«COCKERILL»

Cargueiro misto (velas/vapor) construído, em 1901, nos estaleiros de John Cockerill & Cº, de Hoboken, Bélgica. O seu primeiro armador foi o ramo de transportes marítimos desta empresa, que o utilizou numa linha que ligava Antuérpia a Londres. O «Cockerill» foi um navio pioneiro, pelo facto de ser um dos primeiros mercantes a recorrer ao emprego, quase exclusivo, do vapor. Com efeito, no seu tempo, ainda se privilegiava o uso dos grandes veleiros no comercio internacional de mercadorias, sendo o vapor uma novidade. Por essa razão, o «Cockerill» serviu de modelo aos numerosos cargueiros que, nesse início de século XX, asseguraram a transição entre os dois sistemas de propulsão. O navio em apreço ainda foi equipado com velas (latinas), mas elas apenas existiram para mover o navio no caso do dito sofrer alguma avaria de motor e para o estabilizar. O «Cockerill», que foi concebido para transportar alimentos perecíveis (mas que, depois, diversificou a natureza da sua carga), apresentava 2 450 toneladas de arqueação bruta e media 88,10 metros de comprimento por 13,70 metros de boca. A sua única máquina (de tripla expansão) desenvolvia uma potência de 1 200 cv e accionava 1 hélice. A sua velocidade máxima era de 9 nós. O navio apresentava um desenho que se tornaria clássico, que consistia em separar os seus dois porões de carga pelo castelo e pela casa das máquinas (mais a respectiva chaminé), ambos situados a meia nau. Este navio teve um destino trágico, visto ter sido afundado -a 22 de Dezembro de 1917- pelo submarino alemão «UB-57». A ocorrência (que causou a morte de 5 tripulantes do cargueiro) teve lugar perto do cabo Lizard, na embocadura ocidental do mar da Mancha. Mas, por essa altura, o navio já se chamava «Mabel Baird» e navegava com as cores do armador inglês JW Baird, de Hartlepool (Sunderland). Na impossibilidade de encontrar uma ilustração deste navio (e de a publicar), aqui deixamos uma imagem reproduzindo o estaleiro que o construiu em 1901 : o de John Cockerill, situado em Hoboken (um arrabalde de Antuérpia), numa margem do rio Escalda.

«KOSCIUSZKO»

Este paquete foi construído em 1915 pelos estaleiros da firma Barclay, Curle & Cº, de Glásgua (Escócia), por encomenda da casa armadora Amerian-Russian Line; no seio da qual o navio usou o nome de «Czaritza» e operou (no transporte e passageiros) entre os portos de Nova Iorque e de Arkhangelsk. Durante a guerra civil russa, que sucedeu à tomada do poder pelos bolcheviques, este paquete serviu como unidade de apoio aos 'Brancos', tendo participado no conflito enquanto transporte de tropas e navio de evacuação de refugiados. Funções que assumiu, igualmente, durante a Grande Guerra, por conta dos E.U.A. e da Grande-Bretanha. Em 1921 voltou a Arkhangelsk com os militares de um corpo expedicionário anti-soviético, no decorrer de uma campanha fracassada, promovida pelas nações ocidentais. Ainda nesse ano de 1921, o navio foi comprado pela companhia de navegação Baltic-American Line, tomando o nome de «Lituania» e operando numa linha transatlântica que escalava os portos de Halifax, Nova Iorque, Copenhague, Dantzig e Liepaia. Em 1930, o navio foi adquirido pela empresa Polish Transatlantic Ship Association, que lhe deu novo nome : «Kosciuszko», em honra de um nobre polaco, que se distinguiu nas guerra contra os Russos e na luta (contra os Britânicos) pela independência dos Estados Unidos da América. O navio assegurou uma linha regular entre a Polónia e o Canadá (Halifax) e fez vários cruzeiros de duração limitada. Em 1935, em circunstâncias que desconhecemos, o «Kosciuszko» (que conservou a bandeira polaca) começou a operar entre Constança e Haifa e, no ano seguinte operava numa linha Europa-América do sul. Aquando dos acontecimentos do Verão de 1939 e perante a eventualidade da invasão alemã da Polónia, o governo deste país transferiu-o para o Reino Unido; onde o navio, considerado obsoleto, foi imobilizado e assegurou um certo número de funções, tais como quartel, escola, hospital, etc. Chegou a ser visitado pelo rei Jorge VI e por Winston Churchill, numa atitude de respeito e de gratidão pela Polónia e pelos polacos que combatiam os hitlerianos no seio das forças armadas britânicas. Depois de um bombardeamento aéreo (ocorrido em 1940), o navio foi reparado e reutilizado como transporte de tropas. Foi, pois, com esse estatuto que o «Kosciuszko» participou nas campanhas do oceano Índico, durante as quais foi várias vezes atacado pela aviação nipónica. De regresso à Europa, o navio operou no Mediterrâneo e participou, em 1943, nas operações da invasão da Sicília pelos Aliados. No imediato pós-guerra, o «Kosciuszko» ajudou no repatriamento de soldados de nações amigas para os respectivos países. Nessa altura já usava o designativo de «Empire Helford», seu quarto e derradeiro nome. A sua longa vida terminou em 1949, num estaleiro de Blyth (Inglaterra), onde foi desmantelado. O «Kosciuszko» apresentava uma arqueação bruta de 6 852 toneladas e media 138,80 metros de longitude por 16,20 metros de boca. Podia navegar à velocidade máxima de 14 nós e receber a bordo (na sua configuração de transporte de passageiros) uns 700 passageiros. Durante a 2ª Guerra Mundial, na sua qualidade de navio tropeiro, esteve armado com 4 peças antiaéreas de 20 mm.

«ZEPPELIN»

////////// Construído pelos estaleiros Vulkan AG, de Bremen-Vegesack, em 1914, este paquete alemão pertenceu à frota da companhia Norddeutscher Lloyd. Deslocava 22 000 toneladas e media 167,70 metros de comprimento por 20, 50 metros e boca. O seu calado superava os 10 metros. O «Zeppelin» (cujo nome rendia homenagem a um célebre inventor e pioneiro da aeroestação) estava equipado com 2 máquinas a vapor de quádrupla expansão (desenvolvendo 1 850 nhp de potência) e com 2 hélices. A sua velocidade de cruzeiro rondava os 15 nós. Podia receber a bordo mais de mil passageiros, distribuídos por três classes distintas. E muito mais gente na versão de transporte de tropas; que foi a primeira das suas utilidades, visto o seu lançamento ter, praticamente, coincidido com a eclosão da 1ª Guerra Mundial. Nos últimos anos do conflito, este navio foi deixado, por precaução, no porto de Bremen. Depois do armistício, foi entregue pela Alemanha (como parte das reparações de guerra ) ao Reino Unido, que o colocou sob a administração da companhia White Star. Por pouco tempo, já que, em inícios de 1919, passou a navegar com bandeira norte-americana e com o designativo de USS «Zeppelin». Os serviços de transportes da marinha ianque (divisão de Nova Iorque) utilizou-o no repatriamento de cerca de 16 000 dos seus soldados da Europa e, a 27 de Dezembro desse mesmo ano, retrocedeu-o ao governo inglês; que, por sua vez, o colocou à disposição da Orient Steam Navigation Company. Esta casa armadora deu-lhe o nome de «Ormuz» e pô-lo na sua linha Londres-Austrália, onde o navio permaneceu até 1927. Ano em que este paquete voltou às mãos do seu primeiro armador, a N.D.L.; que lhe deu o nome (derradeiro) de «Dresden» e o colocou na carreira de Nova Iorque. No dia 20 de Junho de 1934, já em pleno consulado de Adolf Hitler, o navio navegava, no litoral norueguês, com cruzeiristas de uma organização hitleriana -a KdF, Kraft durch Freude- quando foi embater violentamente numas rochas da ilha de Aregrunden. Como medida de segurança, o navio foi dali removido e encalhado voluntariamente perto da localidade de Blikshaven, na vizinha ilha de Karmoy. O resgate dos passageiros e tripulantes do ex-«Zeppelin» foi assegurado por várias embarcações, que responderam aos pedidos de socorro do navio acidentado. Durante essa operação morreram quatro pessoas. Julgado irrecuperável, o velho paquete foi desmantelado 'in situ' por uma empresa especializada de Stavanger. Mas, no lugar do desastre, localizados entre 4 e 50 metros de profundidade, ainda hoje se podem encontrar alguns destroços do navio em apreço.

sábado, 15 de junho de 2013

«KODOR»

O «Kodor» foi um dos 49 veleiros de mesmo tipo construídos num estaleiro de Turku, na Finlândia, e entregues por esse país nórdico à U.R.S.S., a título de indemnização de guerra. O «Kodor» (realizado em 1951) era uma escuna com cerca de 340 toneladas de arqueação bruta e com as seguintes dimensões : 51,70 metros de comprimento fora a fora, 8,75 metros de boca e 3,45 metros de calado. Este navio, com casco de madeira, tinha 3 mastros, que envergavam 840 m2 de velas. Estava equipado com um motor auxiliar diesel, de origem sueca, que desenvolvia 225 cv de potência. Este engenho, aliado ao aparelho eólico do navio, permitia-lhe navegar à velocidade máxima de 8 nós. O «Kodor», tal como os seus congéneres de construção finlandesa, serviu a marinha mercante soviética em viagens de cabotagem, transportando mercadorias diversas. Mas, rapidamente, foi entregue ao Ministério das Pescas, que o mandou transformar em navio-escola para instrução de cadetes. O «Kodor» foi, então, registado no porto de Leninegrado (a actual São Petersburgo), a partir do qual fez -durante 30 anos- inúmeros cruzeiros no oceano Atlântico  e mares adjacentes. Este belíssimo veleiro, que tinha capacidade para acolher 44 instruendos e respectivos docentes, terá formado cerca de 3 000 oficiais. Por volta de 1980, o «Kodor» foi desactivado e transformado (algures no Báltico) num restaurante flutuante. Mais tarde seguiu para o mar Cáspio, onde foi destruído por um incêndio, em Agosto de 1999. Este acontecimento ocorreu (segundo as informações de que dispomos) em Bacu, no Azerbaijão. Constituindo um perigo para a navegação, os seus restos foram reemergidos e desmantelados no ano 2000.

«IVANHOE»

Contratorpedeiro da classe 'I', construído -para a 'Royal Navy'- nos estaleiros Yarrow Shipbuilders, de Scotstoun, Escócia. Foi lançado à água em Fevereiro de 1937. O seu deslocamento era de 1 888 toneladas em plena carga e as suas dimensões eram as seguintes : 98,50 metros de comprimento, 10,10 metros de boca, 3,80 metros de calado. O seu sistema propulsor desenvolvia uma potência de 34 000 shp, que lhe garantiam uma velocidade máxima de 36 nós e uma autonomia (com andamento reduzido) de 5 530 milhas. O seu armamento era constituído por 4 canhões de 120 mm, 8 metralhadoras de 12,70 mm, tubos lança-torpedos de 533 mm e 2 lançadores de cargas de profundidade abastecidos com 30 munições. Também foi preparado para lançar minas e equipado com um sistema de detecção (de submarinos) ASDIC. O «Ivanhoe», que tinha uma guarnição de 145 homens, pertenceu, inicialmente, à 3ª Flotilha de Destroyers estacionada no Mediterrâneo. Em 1936, quando rebentou a Guerra de Espanha, este navio foi enviado para a base de Gibraltar como medida de precaução, e, em Fevereiro e Março de 1939, esteve no porto de Cartagena com a missão de ali proteger os cidadãos e os interesses britânicos e de ajudar à evacuação de simpatizantes republicanos. Durante o segundo conflito generalizado, o «Ivanhoe» voltou ao Atlântico para participar nalgumas campanhas importantes : intervenção dos Aliados na Noruega, operação das ilhas Lofoten e evacuação de Dunquerque. Este navio foi seriamente danificado, por minas, na noite de 31 de Agosto para 1 de Setembro de 1940. O incidente teve lugar ao largo da costa holandesa de Texel e foi tão grave, que o comandante do «Ivanhoe» se viu obrigado a decidir da sua evacuação. A tripulação do navio foi recolhida por unidades da 'Royal Navy' operando na zona. Abandonado à sua sorte, este contratorpedeiro britânico acabou por ser alvejado por aviões alemães e atingido por um torpedo lançado pelo congénere germânico «Kelvin». O «Ivanhoe» afundou em poucos minutos. Este acto de guerra foi uma catástrofe para a armada britânica, que na operação em causa, perdeu dois navios e cerca de 400 combatentes : perto de 300 mortos e 100 feridos e/ou prisioneiros. Por essa razão, a operação que envolveu a perda do «Ivanhoe» está registada nos anais da 'Royal Navy' com o nome de Desastre de Texel.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

«MALLORQUIN»

O «Mallorquin» foi o primeiro navio a vapor registado nas Baleares e a assegurar uma carreira regular entre Palma de Maiorca e Barcelona. Foi construído num estaleiro de Aberdeen, Escócia (Druffus & Cº), em 1937, ano em que também começou a sua actividade no Mediterrâneo. Custou 8 100 libras esterlinas. O «Mallorquin» era um navio com casco em madeira chapeada de cobre (abaixo da linha de flutuação), que media 45 metros de comprimento por 9 metros de boca. Estava equipado com 1 máquina a vapor de 120 cv (acoplado a 2 rodas laterais de pás) e com 2 mastros guarnecidos com velame áurico/latino. Esse conjunto propulsivo assegurava-lhe uma velocidade máxima de 11 nós. O seu primeiro mestre foi o capitão Gabriel Medinas. A sua viagem inaugural fez-se do Reino Unido para Palma (com escalas em Falmouth e Gibraltar) em 15 dias de navegação. E a primeira viagem entre Maiorca e a cidade condal foi promovida pela companhia Navigación Marítima Mallorquina e ocorreu a 17de Setembro de 1837. O navio transportou, aquando dessa viagem, 22 passageiros, mercadorias diversas e... uma vara de porcos de uma apreciada raça maiorquina. Em 1959, este vapor foi requisitado pelas autoridades militares e, durante o conflito hispano-marroquino, transportou para África tropas, armas, munições e víveres para o exército espanhol. Os seus passageiros mais famosos foram, sem dúvida, o casal formado pelo compositor Frederic Chopin e pela escritora George Sand, tendo esta última registado a sua passagem a bordo num dos seus escritos. Também o escritor Juan Cortada y Sala (de nacionalidade espanhola) viajou no «Mallorquin» e deixou impressas as suas impressões de viagem nesta embarcação. Foi graças a este navio, que os seus proprietários conseguiram obter (durante alguns anos) o monopólio de transporte de correio para as ilhas. Desconhecemos o destino final do «Mallorquin».