sexta-feira, 19 de abril de 2013

«MANUELA»

//////////////// O «Manuela» -um cargueiro com 4 472 toneladas de arqueação bruta e com 125,27 metros de comprimento por 16.76 metros de boca- foi construído em 1934 nos estaleiros  da firma Newport News Shipbuildind & Cº, na Virginia. Equipado com um sistema propulsivo a vapor, este navio mercante -patencente à frota do armador Bull AH Steamship & Co. de Nova Iorque- podia atingir a velocidade máxima de 13 nós. A 25 de Junho de 1942, navegava de San Juan de Porto Rico para o continente, quando foi surpreendido ao largo do cabo Lookout (na costa da Carolina do Norte) pelo submarino alemão «U-404»; que o alvejou com vários torpedos e o afundou. O «Manuela», que integrara, por razões de segurança, um comboio de 11 navios, carregava, nessa sua derradeira viagem, 100 000 sacas de açúcar. Que se perderam, naturalmente, no naufrágio do navio, assim como 2 membros da sua tripulação de 23 homens, que morreram esfacelados pelas explosões dos projécteis do submersível inimigo. Apesar de ter sido atingido irremediavelmente, o «Manuela» só soçobrou no dia que se seguiu ao ataque, facto que permitiu a intervenção de uma equipa de inspecção; que, surpreendentemente, ainda  pôde salvar um marinheiro com fracturas múltiplas, e cujo estado de mobilidade impedira de seguir os seus colegas nos botes salva-vidas. Os restos do «Manuela» (que levava a bordo 1 pequena peça de artilharia, servida por 6 elementos da Guarda Naval) repousam a cerca de 50 metros de profundidade e são, ainda hoje, visíveis e visitados por mergulhadores desportivos.

«INHAÚMA»

Corveta da armada brasileira, que deu o seu nome a uma série de quatro navios do mesmo tipo; que foram denominados «Inhaúma», «Jaceguaí», Júlio de Noronha» e «Frontin». O navio em apreço foi construído no AMRJ (Arsenal da Marinha do Rio de Janeiro) e entrou em serviço operacional no ano de 1989.  Desloca 1 970 toneladas em plena carga e mede 95,80 metros de longitude por 11,40 metros de boca. O seu calado é de 3,70 metros. Dotada com 2 máquinas diesel com 27 000 cv de potência global e 2 hélices, a corveta «Inhaúma» pode atingir 29 nós de velocidade máxima e dispor de uma autonomia de 7 400 km (com o andamento reduzido a 15 nós). Está armada com mísseis antinavio MM-40 'Exocet', com 1 canhão de 115 mm (com alcance de 22 km), com 2 peças antiaéreas de 40 mm (cuja cadência de tiro é de 300 disparos por minuto) e com tubos lança-torpedos. Opera 1 helicóptero Westland AH-11A 'Super Lynx'. A sua guarnição é constituída por 115 membros, oficiais incluídos. Parece que a construção das corvetas desta classe constituíram a resposta brasileira à realização, na Argentina, de 6 navios similares da classe 'Espora'. A «Inhaúma» e 'sister ships' tiveram alguns problemas de navegabilidade, provocados, ao que parece e em parte, pela introdução a bordo da maior peça de artilharia jamais carregada por um navio com menos de 2 000 toneladas de deslocamento. Pelo seu porte, armamento e modernos equipamentos electrónicos, a «Inhaúma» é, na prática, uma pequena fragata, muito próxima dos navios da classe 'Niterói'. A sua missão está virada para a protecção do tráfego marítimo de cabotagem, escolta de navios de guerra de maior porte, patrulha da ZEE e operações de busca e salvamento, entre outras. 

domingo, 14 de abril de 2013

«ANA PRIMEIRO»

///// Lugre construído (em madeira) na Suécia em 1918. Este veleiro, usou o nome «Erika» até inícios dos anos 30, altura em que foi adquirido pela Sociedade Luso-Brasileira Lda, com sede na cidade da Figueira da Foz. Equipado com um motor auxiliar, o «Ana Primeiro» iniciou a sua actividade na pesca do bacalhau, com bandeira verde-rubra, em 1935. Sobreviveu aos rijos mares da Terra Nova até 1950. Naufragou durante a campanha desse ano -no dia 9 de Agosto- por causa de um incêndio que se declarou a bordo e que a sua tripulação não conseguiu extinguir. O desastre (que parece não ter provocado vítimas) ocorreu no afamado banco de Virgin Rocks, em águas canadianas. Algumas informações técnicas sobre este navio de 3 mastros : construído por Nils Frenberg, no estaleiro de Ornavik, Suécia. 274,94 toneladas de arqueação bruta.38 metros de comprimento fora a fora. 1 máquina Skandia com 130 bhp de potência. Podia carregar 4 797 quintais de pescado. Nota final : são escassas as informações sobre este navio. Assim, o texto aqui inserido, só foi possível graças a notícias dispersas publicadas em sítios (portugueses) da Internet. Tal como a fotografia de autor desconhecido, que 'roubámos' (com a melhor e a mais desinteressada das intenções) ao excelente blogue «Navios e Navegadres».

«MARTHA L. BLACK»

////////////// Quebra-gelos e unidade multifunções da Guarda Costeira Canadiana. É um navio da chamada classe '1100', construído, em 1986, nos estaleiros da firma Versatile Pacific Shipyard Ltd, de Vancouver (Columbia Britânica). Com 83 metros de comprimento por 16,20 metros de boca, este navio desloca 3 818 toneladas e está equipado com um sistema propulsivo diesel/eléctrico (na realidade um motor de locomotiva), que lhe confere uma velocidade máxima de 14 nós e uma autonomia de 120 dias. Dotado com um moderno equipamento de ajuda à navegação, o «Martha L. Black» tem uma tripulação de 25 membros e opera no Árctico e, mais correntemente, na foz e no curso do poderoso rio São Lourenço. Tem pista para helicópteros e pode receber, a bordo, um aparelho MBB Bo 105. Curiosidade : o nome deste navio (construído com aços especiais) é o de uma cidadã nascida no inóspito território do Yukon e que foi a segunda mulher a integrar os efectivos da famosa Real Polícia Montada do Canadá. O «Martha L. Black» tem a sua base na cidade de Quebeque.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

«ASTRID»

///////////////// O «Astrid» é um belo veleiro de 2 mastros, com casco de aço, construído (segundo desenho do arquitecto Greg van Leewin) no ano de 1918 nos estaleiros de Scheveningen, nos Países Baixos. Com o primitivo designativo de «Wuta», foi concebido como cargueiro e serviu, no início da sua vida activa, no transporte de mercadorias diversas (madeira, cereais, carvão, etc) nos mares do Norte, da Mancha e Báltico. Este navio só recebeu o seu nome definitivo em 1937, quando foi vendido a um armador sueco; que o manteve até à sua morte, ocorrida no ano de 1975. Vendido, sem mastros, a negociantes libaneses, o «Astrid» foi palco de incêndio violento e apareceu em muito mau estado de conservação (e em circunstâncias que desconhecemos) num recanto lodoso do rio Hamble, na Inglaterra. Foi ali que, em 1984, o comandante Graham Neilson o descobriu e decidiu recuperá-lo. Para poder dispor de capitais que lhe permitissem levar por diante os seus planos de restauro do veleiro, o supracitado fundou a associação The Astrid Trust. Diz-se que, na recuperação do navio, foram utilizados a madeira de 19 pinheiros de Douglas, ferro de carris de caminho-de-ferro (para o lastro) e um motor encontrado (e reactivado) nos restos de uma barcaça da ilha de Wight. O relançamento à água e baptismo do novo «Astrid» tiveram lugar no dia 24 de Maio de 1989, na real presença da princesa Anne. O «Astrid» voltou às origens em 1999, ano em que passou a içar pavilhão neerlandês. Na sua forma (brigue) e utilização actual (navio de formação vélica e de turismo), este veleiro emprega 35 marinheiros e pode receber, nos seus 12 camarotes, 24 estagiários ou 60 passageiros para viagens de um dia. O «Astrid» é muito conhecido nos portos da Europa, pelo facto de participar regularmente nas grandes e periódicas concentrações de veleiros. Como, por exemplo, a Armada de Rouen, que tem lugar na Alta Normandia, ou o evento similar de Brest, na Bretanha. O «Astrid» desloca 274 toneladas, mede 45,65 metros de comprimento fora a fora por 6,50 metros de boca e pode desfraldar 450 m2 de pano.

domingo, 7 de abril de 2013

«CAMPANIA»

///////////// Lançado à água no dia 8 de Setembro de 1892, pelos estaleiros Fairfield Cº, Ltd, de Glásgua (Escócia), o paquete «Campania» era um navio com 12 950 toneladas de arqueação bruta e com 183,17 metros de comprimento por 19,87 metros de boca. Destinado ao serviço da Cunard, este navio movia-se graças a 2 poderosas máquinas a vapor de tripla expansão e a 2 hélices. A sua velocidade de cruzeiro era de 21 nós.  O «Campania» (que era gémeo do «Lucania», do mesmo armador) estava apetrechado para poder receber 2 000 passageiros : 600 em 1ª classe, 400 em 2ª e 1 000 em 3ª ou classe 'emigrante'. A sua tripulação compreendia 415 membros. O «Campania» -que foi o maior navio do seu tempo- partiu para a sua viagem inaugural a 22 de Abril de 1893, ligando os portos de Liverpool e Nova Iorque. Nesse mesmo ano (em Maio) conquistou a famosa e cobiçada 'flâmula Azul', atribuída ao navio mais rápido a navegar no Atlântico norte, com uma velocidade registada de 21,9 nós. O que correspondia a 5 dias e poucas horas de navegação entre as duas margens do oceano. Este transatlântico foi equipado, em 1901, com um telégrafo Marconi, sendo um dos primeiros navios do seu tempo a beneficiar dessa tecnologia de telecomunicações. Até Abril de 1914 (ano durante a qual se desencadeou a mortífera Grande Guerra), O «Campania» executou 250 viagens de ida e volta entre a Europa e o Novo Mundo. Com apenas dois acidentes a manchar a sua brilhante folha de serviços. Com efeito, em Julho de 1900, o «Campania» colidiu, devido a espesso nevoeiro, com a barca «Embleton» (também ela de bandeira britânica) no mar da Irlanda. O veleiro foi cortado em dois, afundou-se e sofreu a perda de 11 vidas. E, em Outubro de 1905, este paquete foi varrido por uma onda gigantesca, quando navegava em pleno Atlântico, que arrastou para a morte 5 dos seus passageiros. Logo após ter completado a sua 250ª viagem, o «Campania» foi afretado, por uns meses, à companhia Anchor Line. Depois, foi comprado pelo almirantado, que encarregou os estaleiros Cammel Lairds, de Birkenhead, de o transformar em porta-aviões. Foi nessa condição que, desde 1915 e com 10 aeroplanos a bordo, o navio participou nalgumas operações de guerra, a partir da sua base de Scapa Flow. Depois do final da guerra, a 5 de Novembro de 1918, o HMS «Campania» operava no Firth of Forth quando foi assaltado por uma terrível tempestade e perdeu os ferros. Desgarrado, o navio foi chocar com o couraçado «Royal Oak». Nesse desastrado abalroamento, o porta-aviões sofreu um rombo que lhe foi fatal; pois, em menos de 3 horas, afundou-se irremediavelmente. Sem vítimas a lamentar. De qualquer modo, o navio teve um fim pouco glorioso, sabendo-se que começara por ser um dos transatlânticos mais prestigiosos do seu tempo e que, depois de ter terminado a sua carreira comercial e durante o primeiro dos conflitos planetários, foi um dos navios pioneiros da 'Fleet Air Arm'.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

«ASKOLD»

Construído, em 1900, na Alemanha, pelos estaleiros navais da companhia Deutsche Werft, de Kiel, o cruzador protegido «Askold» só integrou oficialmente os efectivos da marinha imperial russa no ano de 1902. O «Askold» era um navio com 5 910 toneladas de deslocamento, que media 231 metros de comprimento por 15 metros de boca. O seu calado era de 6 metros. A propulsão deste cruzador era assegurada por um sistema que compreendia 3 máquinas a vapor de tripla expansão vertical, 9 caldeiras (consumindo carvão) e 3 hélices. A potência desenvolvida era de 19 650 cv, força que lhe facultava uma velocidade máxima de 23 nós. As zonas couraçadas deste navio compreendiam a cintura de casco, o convés e o posto de comando, onde a blindagem chegou a atingir a espessura de 152 mm. Fortemente artilhado, o «Askold» -que, visualmente, se distinguia dos outros navios da frota russa pelas suas 5 altaneiras chaminés- dispunha de 12 peças de 150 mm, 12 de 75 mm, 8 de 47 mm e 2 de 37 mm. Para além de 6 tubos lança-torpedos de 381 mm. A sua guarnição era de 580 homens. O «Askold» teve uma vida operacional muito movimentada, já que o navio participou nos combates da Guerra Russo-Japonesa, no decorrer da qual usou o pavilhão do almirante Reitzenstein. Durante esse conflito, o «Askold» participou numa tentativa para romper o bloqueio de Porto Artur (sua base) e esteve implicado na batalha do Mar Amarelo, da qual saíu com avarias graves provocadas pelo fogo inimigo e depois de ter infligido desgastes (segundo os russos) aos navios nipónicos «Asama» e «Yakumo». Transferido para a Europa, este navio foi integrado na Esquadra do Norte (estacionada em Murmansk) e, durante a 1ª Guerra Mundial, serviu no Mediterrâneo, onde participou, ao lado dos Aliados, na batalha dos Dardanelos. Aquando da Revolução de Outubro -durante a qual cairia a dinastia dos Romanov e o poder dos czares- o «Askold» foi confiscado (em 1918) por forças da Grã-Bretanha, que o integraram, momentaneamente, na 'Royal Navy'. Onde este navio serviu com o nome de «Glory IV». Depois da consolidação da revolução leninista, os britânicos decidiram devolvê-lo à Rússia, mas as autoridades soviéticas nunca quiseram aceitar o navio. De modo que, a Inglaterra não teve outra alternativa senão a de mandá-lo desactivar e desmantelar. O que aconteceu, em 1922, num estaleiro do porto de Hamburgo.