terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

«DRAGON OF THE YANGTZE»


Este é o nome inglês e de divulgação turística de um navio-hotel chinês, que efectua cruzeiros no rio Yang-tzé, ou rio Azul. Esta curiosíssima embarcação foi construída em 2003 nos estaleiros de Ychang (China) e apresenta as seguintes dimensões : 3 088 toneladas de arqueação bruta; 90,50 metros de comprimento; 14,80 metros de boca; 21,10 metros de altura; 2,75 metros de calado. Com categoria equivalente à de um hotel de 5 estrelas, este navio fluvial tem cinco convezes, sendo o superior aberto e vocacionado para a observação dos bonitos lugares percorridos, entre os quais se incluem trechos da impressionante região das Três Gargantas. O «Dragon of the Yangze» oferece aos seus afortunados utentes 93 camarotes e ‘suites’, com vista para o exterior. Todos são de grande conforto e dotados com ar condicionado e com casa de banho privativa. Para além destas acomodações (cujo custo varia em função da sua dimensão), esta embarcação dispõe de um centro de negócios, lojas, restaurantes, bares, sala de reuniões, biblioteca, clínica, ginásio, saunas, ‘jacuzzi’, salão de beleza, salas de jogos, etc. Um elevador liga os convezes entre si. O «Dragon» -que se caracteriza exteriormente pela impressionante  figura de proa representando esse animal mitológico- pode receber a bordo cerca de 180 passageiros, que ali beneficiam de um luxo digno dos antigos mandarins. Isso está patente no fausto dos adornos do navio, nos esplendorosos trajes dos tripulantes (inspirados nas roupas usadas nos  tempos da dinastia Quing, que reinou no país desde meados do século XVII), na opulência das iguarias servidas a bordo, etc. A rota do «Dragon of the Yangtze» segue, parcialmente, o curso do rio Azul, que é –com os seus 6 400 km- um dos mais longos cursos de água do planeta. Esta embarcação, que faz parte de uma moderna frota de navios-hotel, é explorada por uma empresa estatizada.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

«MARIA DAS FLORES»


Lugre-motor de bandeira portuguesa. Foi construído no estaleiro do Bico da Murtosa por José Maria Lopes de Almeida, de Pardilhó, e lançado à água no dia 18 de Fevereiro de 1946. Com perto de 700 toneladas de deslocamento e com uma capacidade de carga para 10 000 quintais de bacalhau, este belo navio de 3 mastros e com casco em madeira apresentava as seguintes dimensões : 50 metros de comprimento; 10,30 metros de boca; 4,85 metros de pontal. Estava equipado com 1 máquina propulsiva de 340 h.p. e com 2 motores de menor potência, que proporcionavam energia à sua câmara frigorífica e à rede interna de luz eléctrica. O «Maria das Flores» acolhia uma tripulação permanente de 11 tripulantes e uma companha de 50 pescadores, que utilizavam 57 dóris no seu duro labor. Este lugre-motor tinha linhas modernas, que se caracterizavam pelo seu casco de alto bordo nas extremidades; que rompiam com o desenho dos bacalhoeiros construídos antes e durante o período da 2ª Guerra Mundial e que se distinguiam pelo seu costado baixo e corrido.  A vida deste navio começou de maneira atribulada, já que, em inícios do mês de Abril desse ano de 1946, encalhou na ria de Aveiro, onde esteve imobilizado até 10 de Maio. Mas, ainda assim, o «Maria das Flores» (que pertenceu, sucessivamente, ao armador João Carlos Tavares e à Empresa Comercial e Industrial de Pesca) pôde participar na campanha de pesca desse ano. A partir daí a sua história foi mais calma, cumprindo, para satisfação de todos, a tarefa que justificou a sua realização no imediato pós-guerra. O «Maria das Flores» continuou a pescar nas águas do Atlântico norte, até que –a 18 de Setembro de 1958- naufragou com água aberta no banco Eastern Shoals (Terra Nova, Canadá). Por essa altura, o navio já havia completado a sua carga de pescado e preparava-se para voltar a Portugal. O afundamento do «Maria das Flores» foi ocasionado por ventos ciclónicos. A sua tripulação foi salva pelo navio-motor «Lousado», do mesmo armador.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

«KOSTIANTYN OLSHANSKY»


Navio de assalto anfíbio da classe ‘Ropucha’ (vocábulo que de traduz por ‘sapo’ na nossa língua) pertencente à marinha de guerra da Ucrânia. Construído na Polónia (nos estaleiros Stoczna Pólnocna, de Gdansk), entre 1975 e 1991, como 28 outros navios do seu tipo, o «BDK-56» serviu na armada soviética até ao desmoronamento da U.R.S.S.. E, em 01/10/1996, foi oficialmente integrado nos efectivos da marinha militar ucraniana, na sequência do tratado de partilha de material bélico assinado ente a Rússia e o governo de Kiev. Passando, desde então, a usar o nome de «Kostiantyn Olshansky» e o número de amura U402. Com uma área de 620 m2 destinada a receber 25 veículos blindados, este navio tem, também, acomodações para acolher 98 tripulantes permanentes, 225 fuzileiros navais e os operadores de todos os veículos transportados. Veículos que acedem e saiem de bordo através de 2 portas situadas à popa e à vante do U402, dispondo a de proa de uma característica rampa. Único navio desta classe a operar na armada da Ucrânia, o «Kostiantyn Olshansky» deslocada 3 200 toneladas em plena carga e mede 113 metros de comprimento por 15 metros de boca. O seu calado máximo é de 3,70 metros. A sua propulsão é assegurada por 2 máquinas diesel com uma potência global de 19 200 h.p., que lhe conferem 18 nós de velocidade e uma autonomia de 6 100 milhas náuticas. O seu armamento compreende 2 canhões de 76 mm, peças antiaéreas e 4 baterias de lançamento de mísseis. Durante a crise da Líbia, em 1911, que levou à deposição e morte de Kadhafi, este navio esteve nas águas territoriais desse país do norte de África, com o fim de, dali, evacuar os cidadãos ucranianos que temessem pela sua segurança.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

«ERIC REYES HOLGUIN»


Este navio-patrulha de apoio fluvial pesado pertence à Armada Nacional da Colômbia e é do tipo ‘PAF-III’. Usa o indicativo de amura NF-615 e foi a quarta unidade da sua classe a ser construída nos estaleiros da Cotecmar (Corporación de Ciencia y Tecnologia para el Desarrollo de la Industria Naval, Marítima y Fluvial), em Cartagena de Indias. Desloca 275 toneladas e as suas principais características externas são as seguintes : 38,45 metros de comprimento; 9,50 metros de boca; 3,10 metros de pontal; 1 metro de calado. Fruto da nova e promissora indústria naval colombiana (que já exporta para vários países), o NF-615 foi concebido para  actuar nos rios amazónicos e transportar tropas do exército ou dos fuzileiros navais para lugares só acessíveis pela via fluvial. Tropas governamentais treinadas na luta anti-guerrilha (contra as FARC) e na perseguição aos traficantes de narcóticos. Este pequeno navio tem capacidade para transportar 40 militares inteiramente equipados para o bom desempenho das suas missões. O «Eric Reyes Holguin» foi motorizado com 1 Caterpillar (diesel) de série 60, desenvolvendo uma potência de 400 bht a 1 800 r.p.m., força que lhe garante uma velocidade de cruzeiro de 13 km/hora. O seu sistema de propulsão é do tipo ‘pump jet’, concebido especialmente para a navegação em águas baixas e que dispensa o uso de hélices e de lemes. O NF-615 está armado com artilharia ligeira (de 12 mm) guiada pelo sistema de laser optrónico JEYUR e com 1 lança-granadas de 40 mm. Razoavelmente blindado e apetrechado com instrumentos modernos de apoio à navegação (GPS com conexão satelitar, sondas de profundidade, etc), esta unidade fluvial, com um ‘design’ furtivo, também pode operar um helicóptero do tipo MBB/Kawasaki Bk 117. A armada colombiana já opera 8 patrulheiros desta classe e prevê a construção de mais duas unidades.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

«HIMALAYA»


Encomendado aos estaleiros CJ Mare & Cº, de Leamouth (Londres) pela Peninsular and Oriental Steam Navigation Company, como navio mercante de transporte de passageiros e carga, o «Himalaya» foi lançado à água no dia 24 de Maio de 1853. Mas, devido à guerra da Crimeia, que rebentou no ano seguinte e na qual o império britânico se envolveu, este navio foi adquirido pela 'Royal Navy' pela soma de 130 000 libras, que representava o valor pago aos construtores pelo seu comanditário. E passou, desde logo, a transportar tropas para aquele teatro de guerra. O HMS «Himalaya» era um navio de propulsão mista (velas/vapor) com 3 mastros (aparelhados em galera) e 1 máquina a vapor que accionava duas rodas laterais de pás. O seu aparelho propulsivo (velas/vapor) proporcionava a este navio com 4 690 toneladas de deslocamento (e com 100 metros de comprimento por 14 metros de boca) uma velocidade de 16,5 nós. O navio civil fora concebido para poder transportar 200 passageiros e para ser operado por uma tripulação de 213 membros, mas a versão militar (menos preocupada com o conforto) multiplicou substancialmente o número de pessoas acolhidas a bordo. Terminada a guerra da Crimeia e com o evoluir das técnicas, o «Himalaya» foi submetido (por várias vezes) a grandes trabalhos, dos quais resultaram a supressão das rodas e a sua substituição por hélices. Com o correr do tempo, também parte do seu aparelho eólico foi desaparecendo e substituído por máquinas mais poderosas. A verdade é que este navio serviu cerca de 40 anos na marinha de guerra britânica como transporte de tropas; quando, os peritos da armada de Sua Majestade lhe haviam augurado, aquando da sua aquisição, uma carreira breve. O «Himalaya» esteve na China, envolvido na Segunda Guerra do Ópio, transportou tropas para a Índia, para a África do Sul e para o Canadá. Foi retirado do serviço activo da 'Navy' em 1894 e transformado em barcaça de transporte de carvão com o designativo de «C60». Em 1920, o ex-«Himalaya» foi vendido a um particular, que passou a utilizá-lo como embarcação de serviços em Portland Harbour. Foi ali que, no dia 12 de Junho de 1940, o antigo e descaracterizado transporte de tropas foi afundado pelos 'Stukas' da aviação hitleriana. Curiosidade : a fotografia anexada mostra o navio em apreço já amputado da rodas laterais, que inicialmente o equipavam. A chaminé de origem também era mais alta e o mastro de ré está (na imagem) aparelhado em barca.

«PENNSYLVANIA»

Lançado à água pelo arsenal de Filadélfia, este poderoso navio de linha da 'US Navy' deslocava mais de 3 100 toneladas e media 64 metros de comprimento por 17,30 metros de boca por 7,42 metros de calado. Tinha uma guarnição de 1 100 homens (corpo de oficiais incluído) e alinhava um impressionante armamento (distribuído por 4 convezes), que compreendia umas 140 bocas de fogo de variados calibres. Concebido (por Samuel Humphreys) para poder rivalizar com os maiores e melhor dotados navios ingleses do seu tempo, a realização do «Pennsylvania» foi autorizada pelo Congresso dos E.U.A. em 1816. A construção do navio foi, porém, das mais morosas, já que ultrapassou uma quinzena de anos. A 18 de Julho de 1837 procedeu-se, finalmente, ao bota-abaixo. O poderoso navio dirigiu-se imediatamente para os estaleiros de Chester, onde foi parcialmente equipado e passou, de seguida, pelo arsenal de marinha de Norfolk, onde o seu casco de madeira foi parcialmento revestido com chaparia de cobre. O «Pennsylvania» saíu da doca seca deste último estabelecimento a 2 de Fevereiro de 1838, desceu o rio Delaware (depois do essencial da sua guarnição ter sido transferida para o USS «Columbia») e dirigiu-se para Virginia Capes, na baía de Chesapeake. Esta seria a sua primeira e única navegação, já que, chegado ao porto militar de Gosport, o navio foi prontamente desclassificado. Por lá permaneceu uns 6 anos, até que, em 1842,  iniciou uma longa carreira de navio de recepções, onde eram acolhidos os visitantes ilustres daquela base da 'US Navy'. Quando, em 1861, estalou a guerra civil entre os estados, as autoridades de Washington temeram que o navio fosse confiscado pelos Confederados e deram instruções para que o «Pennsylvania» fosse queimado até à linha de água. O que foi feito no dia 20 de Abril desse primeiro ano de conflito. Anos mais tarde, o que restava do malogrado veleiro (de 3 mastros) foi desmantelado. Pode dizer-se que a construção deste grandioso navio de linha foi, também, um superior fracasso (se não o maior de todos) dos arsenais norte-americanos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

«D. FRANCISCO DE ALMEIDA»

Fragata de construcção holandesa, pertencente à classe 'Karel Doorman', chamada em Portugal classe 'Bartolomeu Dias'. Foi realizada nos estaleiros da firma Royal Schelde Dockyard, de Damen, que a lançaram à água em 1994, com o nome de «Van Galen». Vendida a Portugal e integrada na sua armada no ano de 2010, este navio recebeu o designativo de amura F-334 e o novo nome de «D. Francisco de Almeida», em homenagem ao grande capitão quinhentista, vencedor da memorável batalha naval de Diu. Gémeo da fragata «Bartolomeu Dias» e de seis outros idênticos navios a operar nas marinhas de guerra belga, neerlandesa e chilena, esta fragata desloca 3 320 toneladas em plena carga e mede 122,30 metros de longitude por 14,40 metros de boca. O seu calado é de 6,10 metros. Com propulsão assegurada por um sistema que compreende máquinas diesel e turbinas a gás, este navio pode atingir a velocidade máxima de 30 nós e dispor de uma autonomia (com andamento reduzido) de 9 000 km. A electrónica de bordo (sensores, radares, sistemas de navegação e de processamento de tiro, etc) é de última geração e o armamento principal do navio é constituído por 16 mísseis, lança-torpedos, metralhadoras e por um canhão de tiro rápido Oto Melara de 76 mm e com capacidades de fogo anti-navio e antiaéreo. Do seu equipamento faz também parte um helicóptero Westland 'Lynx'. A tripulação deste navio compreende 20 oficiais, 40 sargentos e 98 praças, para além de 13 militares do destacamento de helicópteros e 5 outros da chamada equipa de abordagem. A fragata «D. Francisco de Almeida» é, actualmente, um dos mais modernos navios de superfície da Armada Portuguesa. Veio, com a «Bartolomeu Dias», substituir as últimas 4 fragatas da classe 'Comandante João Belo». A «D. Francisco de Almeida» tem participado em exercícios de marinhas da NATO e esteve presente e empenhada nos mares da Somália -aquando da Operação Ocean Shield- na luta contra a pirataria.