quarta-feira, 11 de julho de 2012
«U-156»
Submarino da marinha de guerra hitleriana. Era um navio do tipo IXC e foi construído em 1941 no estaleiro AG Weser, de Bremen. Deslocava 1 232 toneladas em imersão e media 76,80 metros de comprimento por 6,80 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 2 máquinas diesel (desenvolvendo uma potência global de 4 000 cv) e por um grupo de motores eléctricos. Podia mergulhar e evoluir a 230 metros de profundidade. O seu armamento principal era constituído por 6 tubos lança-torpedos e por uma peça de artilharia de convés de 105 mm. Tinha uma guarnição que variava entre os 48 e os 56 homens. O seu único comandante foi o capitão-tenente Werner Hartenstein. O «U-156» pertenceu à 2ª Flotilha de Submarinos e esteve estacionado (desde Janeiro de 1942) na base de Lorient, na França ocupada. No decorrer a sua vida operacional, este submersível da Alemanha nazi atacou (a tiros de canhão) a refinaria de petróleo de Aruba, nas Antilhas, e afundou 20 navios dos Aliados e de países neutros, totalizando cerca de 100 000 toneladas. Entre as suas vítimas figuraram o «Alegrete» (navio brasileiro de 5 970 toneladas) e o «Laconia» (transporte britânico com 20 000 toneladas de arqueação bruta). O «U-156» não sobreviveu à guerra, tendo sido destruído –a 8 de Março de 1943- a leste da ilha de Barbados por cargas de profundidade lançadas de um hidroavião ‘Catalina’ da aeronaval norte-americana. Toda a guarnição do submarino (53 homens) pereceu. Nota final : o episódio do torpedeamento do «Laconia» (ocorrido a 12 de Setembro de 1942) ficou na História da 2ª Guerra Mundial como um dos mais curiosos dessa época. Isso, porque o transporte britânico levava a bordo –aquando do seu funesto encontro com o «U-156»- um elevado número de prisioneiros italianos, que o comandante Hartenstein quis socorrer; acto humanitário que colocou em risco o submarino alemão e provocou, por essa razão, a ira e a intervenção do almirante Doenitz, que proibiu a sua repetição.
terça-feira, 10 de julho de 2012
«LES DEUX SOEURS»
Este navio negreiro francês foi construído no estaleiro de André François Normand, em Honfleur, no ano de 1782, por encomenda dos armadores e traficantes de escravos Fauconnier e Beauvoisin da vizinha cidade do Havre. O navio «Les Deux Soeurs» (‘As Duas Irmãs’) era um veleiro de 280 toneladas, com três mastros e armado com 14 pequenas peças de artilharia. O Havre (na costa norte da Normandia) foi o terceiro porto francês por ordem de importância (logo atrás de Nantes e de Bordéus) a dedicar-se ao infame negócio de seres humanos. Que tinham como principais compradores os ricos plantadores de cana-de-açúcar, de tabaco e de algodão fixados do outro lado do Atlântico. Na época do «Les Deux Soeurs», existiam na referida cidade normanda 68 casas comerciais implicadas (directa ou indirectamente) no tráfico negreiro, que armavam 230 navios especializados no negócio triangular do ‘bois d’ébène’. Negócio encorajado pela monarquia, proibido pelos revolucionários de 1789 e logo restabelecido pelo imperador Napoleão Bonaparte. «Les Deux Soeurs», tal como os seus congéneres gauleses, exercia o seu ignóbil comércio, essencialmente, no golfo da Guiné e nas costas de Angola, antes de desembarcar a ‘mercadoria’ nas Antilhas; de onde voltava à Europa carregado com produtos oriundos dessas paragens e cujo exotismo era negociado deste lado do Atlântico a preços vantajosos.
«CHICHIBU MARU»
Paquete japonês pertencente à frota da companhia N.Y.K. Line. Foi construído, em 1930, pelos estaleiros navais de Yokohama por encomenda da Nippon Yusen Kaisha, que o colocou na sua linha regular de San Francisco, onde este navio era muito apreciado pela sua velocidade (21 nós), pela qualidade e ‘design’ dos seus equipamentos e pelo conforto oferecido aos seus passageiros. O «Chichibu Maru», com cerca de 17 500 toneladas de arqueação bruta, media 178 metros de comprimento e 22,60 metros de boca. A sua propulsão era assegurada por 1 máquina diesel desenvolvendo uma potência de 20 000 cv. Este paquete foi concebido para poder transportar 817 passageiros distribuídos por várias classes. Em 1938 o navio mudou de nome, passando a usar o designativo de «Titibu Maru». E, em 1939, o ano de todos os perigos, o paquete passou a chamar-se «Kamakura Maru». Paralisado em finais de 1941, pela situação criada pelo ataque-surpresa dos japoneses contra a base aeronaval de Pearl Harbour, o navio foi requisitado, logo em inícios do ano de 1942, pela marinha imperial e adaptado ao transporte de tropas. No dia 28 de Abril de 1943, quando já funcionava como navio-hospital e exibia sinais evidentes do seu novo estatuto (grandes cruzes pintadas no casco), o antigo paquete da N.Y.K. Line, que navegava entre Manilha e Singapura, com umas 2 500 pessoas a bordo (militares e civis feridos e/ou doentes, na sua maioria), foi alvejado por dois torpedos do submarino USS «Gudgeon». O navio nipónico afundou-se em apenas 12 minutos. 2 035 dos seus passageiros e tripulantes perderam a vida. 465 sobreviventes do naufrágio foram resgatados do oceano -quatro dias após a tragédia- por vários navios japoneses alertados por rádio.
«ZENTA»
Cruzador da armada austro-húngara com breve participação na Grande Guerra. Foi cabeça de série de uma classe de navios que recebeu o seu nome e que compreendeu, igualmente, o «Aspern» e o «Szigetvar». Estava completamente ultrapasado, do ponto de vista tecnológico, quando rebentou o primeiro conflito generalizado. Foi construído no arsenal de Pula (cidade portuária da actual Croácia) em 1897, mas só foi integrado nos efectivos da marinha imperial dois anos mais tarde. Com uma guarnição de 308 homens, o «Zenta» deslocava 2 543 toneladas (em plena carga) e media 96,88 metros de comprimento por 11,73 metros de boca. Movido por duas máquinas a vapor de tripla expansão e por 2 hélices, este cruzador podia atingir a velocidade máxima de 20,8 nós e dispor de 3 500 milhas náuticas de autonomia com andamento reduzido a 10 nós. Curiosamente, podia içar 586 m2 de velas, como equipamento de propulsão auxiliar. Do seu armamento principal sobressaíam 8 canhões de 120 mm, 8 outros de 47 mm (todos fabricados pela Skoda), mais 2 Hotchkiss de 47 mm e 2 tubos lança-torpedos de 450 mm. Estava protegido por uma blindagem ligeira que não ultrapassava (nos seus pontos mais vulneráveis) os 35 mm. Em finais do ano de 1899, o «Zenta» iniciou um cruzeiro que o levou (via Suez) a portos do Extremo Oriente (Singapura, Hong Kong, Macau, Xangai, Nagasaqui, Kagoxima, etc) e que lhe deu a ocasião de participar nalgumas das operações da chamada Guerra dos Boxers. Parte da sua guarnição (75 homens) também teve intervenção terrestre, já que integrou as forças que evacuaram funcionários das embaixadas ocidentais. Entre 1902 e 1903, o cruzador «Zenta» realizou nova viagem internacional, com visitas à África do Sul (Cidade do Cabo), a portos da América latina (Montevideo, Buenos Aires e Rio de Janeiro), do sul da Europa (Funchal, Cádiz, Málaga, Corfu) e do norte de África (Tânger e Tunis). Colocado na reserva naval, o «Zenta» foi retirado dessa situação em 1914, para participar no bloqueio da costa montenegrina. Logo no início da Grande Guerra, a 16 de Agosto de 1914, o vetusto cruzador austro-húngaro viu-se constrangido a afrontar uma poderosa esquadra anglo-francesa, que o afundou sem remissão durante a batalha naval de Antivari. 179 membros da sua guarnição perderam a vida durante esse combate desigual.
«THE ARK»
Navio britânico do século XVII, conhecido por ter participado -em 1634- no transporte da primeira vaga de emigrantes para o território do actual estado de Maryland. Os pioneiros deste navio (que navegou para o Novo Mundo na companhia do «Dove») fundaram, com efeito, a mais antiga colónia permanente nessa região litorânea da América do norte. O veleiro «The Ark» ('A Arca') parece ter sido construído em Inglaterra por volta de 1630 e era propriedade de Cecilius Calvert, segundo barão de Baltimore. Quase nada se sabe sobre as características físicas desta nau. E, diz a tradição, que os 128 colonos, que pela primeira vez assentaram arraiais nessa nova colónia de Sua Majestade, foram reconduzidos a Inglaterra (por navios da 'Royal Navy') para ali prestarem juramento de fidelidade ao rei; isto, antes de voltarem a ser colocados na recém-fundada povoação de St. Mary. Localidade que daria o seu nome a toda a região do novo assentamento europeu e futuro estado da União. Também se sabe que os novos colonos professavam (quase em partes iguais) as fés católica e protestante, mas que, todos eles, haviam sido instruídos na necessidade de cumprir os preceitos da tolerância religiosa. Os membros mais importantes da nova comunidade foram, sem dúvida, Leonard Calvert (filho do armador dos navios «The Ark» e «Dove») e Thomas Greene, que acabaram por ser nomeados, sucessivamente, governadores da província de Maryland. Não existe informação sobre o destino deste navio histórico, que teve uma grande influência na descoberta, povoamento e desenvolvimento dessa região do litoral leste dos actuais Estados Unidos da América. O que não é o caso do «Dove», navio de menor porte, que naufragou em 1635 no Atlântico com um carregamento de madeira e de peles de castor, quando regressava a Inglaterra.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
«BLUE MARLIN»
Navio semi-submersível, cujo primeiro proprietário foi a sociedade norueguesa Offshore Heavy Transport, com sede em Oslo. O «Blue Marlin» foi construído em Taiwan, pelos estaleiros da China Shipbuildind Corporation, a laborar em Kaohsiung, que o concluíram no ano 2000. E vendido em Julho de 2001 à companhia Dockwise Shipping of the Netherlands, que o adquiriu ao mesmo tempo que o «Black Marlin», irmão gémeo do navio em apreço. O «Blue Marlin» (‘Espadarte Azul’) mede 224,80 metros de comprimento por 63,10 metros de boca e a sua plataforma de carga disponibiliza 11 227 m2; superfície que lhe permite assegurar o transporte de objectos de tamanho e forma excepcionais. A armada norte-americana -que é um dos bons clientes do armador deste navio- já recorreu ao «Blue Marlin» para levar para os E.U.A. o ‘destroyer’ «Cole», seriamente danificado no porto de Aden (Iémene) por um atentado terrorista da Al-Qaeda. E também o utilizou para transferir uma gigantesca estação-radar do Texas para Adak (Alasca), com passagem pelo cabo Horn e pela base de Pearl Harbor. Outra espectacular operação protagonizada por este navio com características assombrosas foi o transporte de uma plataforma de prospecção petrolífera pesando 60 000 toneladas. As ‘performances’ do «Blue Marlin» já fizeram dele uma vedeta de televisão, visto o navio ter sido alvo de documentários realizados para a programação dos reputados Discovery Channel e Canal História. Este navio, que é uma maravilha tecnológica, pode navegar à velocidade de cruzeiro de 14,5 nós e receber a bordo 60 pessoas (geralmente técnicos) em 36 camarotes. Apesar de ser um navio de trabalho, o «Blue Marlin» oferece à sua tripulação e eventuais passageiros um serviço de restauração, um ginásio, uma piscina, sauna e outros mimos.
domingo, 1 de julho de 2012
«PÉLERINE»
Navio de inícios do século XVI. Tudo leva a crer que se trate da nau «São Tomé» -propriedade do armador e comerciante portuense André Afonso- que foi capturada por franceses nas costas da Guiné, em 1530. Dois anos mais tarde, em 1532, a nau foi arrestada no Mediterrâneo, ao largo do litoral andaluz, pela esquadra portuguesa de António Correia, por suspeitar-se que regressava do Brasil com contrabando. Vistoriado o navio (que pertencia, então, a Bertrand d’Ornesan, barão de Saint Blanchard e almirante de Francisco I), verificou-se que essa desconfiança dos lusos era inteiramente justificada, visto a «Pélerine» transportar a seguinte carga : 15 000 toros de pau-brasil, 1,8 tonelada de algodão, 3 000 peles de onça, 600 papagaios, óleos medicinais, malagueta, sementes e amostras de minerais. O capitão luso ainda ficou mais impressionado, ao saber, pela marinhagem do navio capturado (nau que estava armada com 18 canhões e tinha uma guarnição de 120 homens), que os franceses haviam permanecido no Pernambuco quatro longos meses a negociar com os índios e ali haviam fundado um forte guarnecido com artilharia. Tudo isto feito em violação do tratado de Tordesilhas, que reconhecia à coroa portuguesa a plena posse daquele longínquo território das Américas. Referem os historiadores, que o incidente da «Pélerine» chegou para mentalizar definitivamente os Portugueses quão perigoso era descurar o Brasil, como até então acontecera. E que foi esse sucesso que decidiu el-rei D. João III a dar mais atenção a essa sua colónia e a ali estabelecer as famosas 12 capitanias hereditárias, que estão na génese da ocupação efectiva das terras de Vera Cruz. Desconhece-se o destino final da nau «Pélerine» (‘Peregrina’), que se presume ter sido construída na Ribeira do Porto, e que, afinal, tanta importância teve no futuro do Brasil.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






