quarta-feira, 30 de maio de 2012
«ATHENIA»
Paquete britânico pertencente à frota da companhia Anchor Donaldson Line. Foi construído em 1923 nos estaleiros escoceses da firma Fairfield Shipbuilding & Engineering Cº Ltd, de Govan e concebido para assegurar a carreira do Canadá, com partidas de Glásgua ou Liverpool e terminus nos portos de Montreal ou Quebeque. Devido às dificuldades de navegação no rio Saint Laurent, durante a estação fria, o «Athenia» era utilizado, no Inverno, em cruzeiros a regiões de clima mais ameno. Este navio apresentava 13 465 toneladas de arqueação bruta e media 160,40 metros de comprimento por 20,20 metros de boca. O seu sistema propulsivo, a vapor, facultava-lhe uma velocidade máxima de 15 nós. Podia receber 1 500 passageiros a bordo, 516 dos quais em 1ª classe. A vida activa do «Athenia» não foi marcada por incidentes dignos de registo até ao dia 3 de Setembro de 1939, quando cruzou a rota do submarino alemão «U-30». Que o torpedeou e afundou, quando o paquete navegava no Atlântico, ao largo da Irlanda, e se dirigia para América do norte. Vários navios responderam aos pedidos de socorro do paquete agredido e puderam salvar a grande maioria dos passageiros e tripulantes do «Athenia». Houve, no entanto, a lamentar a morte de 98 viajantes e de 19 membros de equipagem desta primeira vítima da guerra submarina. Este naufrágio causou uma tremenda emoção no Reino Unido e não só. Até porque violava a letra do Tratado Marítimo de Londres, assinado em 1930. Os Alemães, confrontados com as severas críticas da opinião pública mundial, começaram por negar os factos; mas, em 1946, durante o Julgamento de Nuremberga, acabaram por assumir as suas responsabilidades, proclamando que o torpedeamento de um inofensivo transporte de passageiros ocorrera na sequência de um erro. Curiosidade : o drama do «Athenia» foi referido no filme norte-americano «Arise, My Love», realizado em 1940 por Mitchell Leisen e com Claudette Colbert e Ray Milland nos primeiros papéis.
«GIUSEPPE ZANARDELLI»
Embarcação turística de bandeira italiana a operar no lago de Garda. Era originalmente um vapor de rodas (hoje a funcionar com uma máquina diesel), que foi construído em 1903 no estaleiro Escher, Wyss & Cº, de Zurique, Suíça. A sua silhueta antiga é muito apreciada pelos milhares de turistas que anualmente o utilizam para descobrir os encantos da Itália alpina. O «Zanardelli», como é familiarmente conhecido, mede 49,20 metros de comprimento por 6,20 metros de boca máxima. Apesar do seu aspecto inofensivo, este barco lacustre foi requisitado -durante a 2ª Guerra Mundial- pelo exército alemão, que o utilizou em operações de carácter militar. E, depois de capturado aos hitlerianos, também foi usado pelas forças aliadas. O «Giuseppe Zanardelli» não saiu ileso do conflito, já que, em 1944, foi danificado por um ataque aéreo. Reparado, voltou ao serviço em 1950 por um período de nove anos. Depois, esteve desactivado durante uma década, mas regressou, em 1969, à sua missão de passear excursionistas, mas com a coberta superior inacessível. Em 1977 sofreu um encalhe de consequências benignas nas imediações de Maderno; incidente que lhe valeu um estágio no estaleiro e uma modificação radical do seu sistema propulsivo, que passou do carvão para o diesel. Funciona sem problemas de maior desde 1983, para glória e proveito da indústria turística de Itália nortenha. Curiosidade : o nome desta embarcação é uma referência ao jurisconsulto e político de inícios do século XX, Giuseppe Zanardelli, que era natural de uma localidade banhada pelo lago de Garda.
terça-feira, 29 de maio de 2012
«BARTOLOMEU DIAS»
Primeiro navio da Armada Portuguesa a usar a propulsão a vapor. Era um navio de três mastros (aparelhados em galera) e com o casco em madeira. A sua máquina horizontal de baixa pressão desenvolvia uma potência de 1 100 hp. A sua velocidade de cruzeiro situava-se nos 10 nós. Estava armada, à vante, com uma arma rotativa (rodízio) e com 16 outras peças de artilharia clássica. Tinha uma guarnição de 300 homens. O «Bartolomeu Dias» (navio que, de início, se destinava à marinha mercante britânica) foi adquirido em Inglaterra por recomendação do conde de Penha Firme (o almirante George Rose Sartorius, antigo comandante das forças navais de D. Pedro IV). Construído no estaleiro Green (nas imediações de Londres), foi lançado à água em Janeiro de 1858 e esteve operacional, na marinha de guerra portuguesa, até ao ano de 1905. Visto o contexto de paz relativa do tempo, esta corveta mista limitou-se a cumprir (quase só) missões de natureza diplomática, sendo a sua viagem mais conhecida aquela que efectuou a Itália para de lá trazer a princesa D.Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen, futura esposa do rei D. Pedro V. A corveta «Bartolomeu Dias» foi comandada pelo infante D. Luís, que recebeu a bordo (no regresso de uma das viagens do navio) a infausta notícia da morte de seu real irmão e a sua subsequente ascensão ao trono de Portugal. No decorrer da sua longa carreira, este navio fez parte de uma divisão naval enviada ao Brasil, em 1864, aquando da guerra do Paraguai. Isto com o intuito de ali acautelar (segundo a fórmula consagrada) os interesses lusos. Encontrava-se em Angola em 1905, em missão de soberania, quando ali foi definitivamente considerada obsoleta e voluntariamente incendiada.
«GLYCINE»
A escuna bacalhoeira «Glycine», de tipo ‘paimpolaise’, foi construída, em 1911, na Bretanha pelos estaleiros da firma Bonne-Laboureur. O seu comanditário foi a casa armadora Duffilhol, de Paimpol, que, com ela, quis substituir o «Marivonnic», navio da sua frota vítima de um dramático naufrágio. Até 1928, a «Glycine» pescou nos Grandes Bancos da Terra Nova, de onde trouxe (para França) quantidades apreciáveis de pescado, proporcionando benefícios importantes ao seu primeiro proprietário. Em 1928 o navio foi cedido aos armadores T. Le Merdy e G. Bertho, também de Paimpol, e aparelhado para a pesca nos mares da Islândia, onde os métodos de captura do bacalhau e as rotações dos veleiros eram algo diferentes. Durante a campanha de 1932, a «Glycine» e a sua equipagem capturam o número recorde de 157 000 bacalhaus, aproveitando-se do facto de, na sua zona de pesca, não terem aparecido arrastões a vapor. A sua última viagem, enquanto unidade pesqueira, aos mares frígidos do setentrião teve lugar em 1935 sob as ordens do capitão Michel Le Blais, um bretão de Plouézec. Vendido ao armador Yves Cadiou (de Trégastel) o veleiro «Glycine» passou a dedicar-se à navegação de cabotagem no sul da Europa, transportando carga diversa. Afundou-se em Agosto de 1939, nas paragens de Gibraltar, quando (carregada de sacos de cimento) navegava entre os portos de Setúbal e de Tânger. A sua equipagem de sete homens logrou sobreviver ao naufrágio do seu navio. As escunas ‘paimpolaises’ deslocavam, geralmente, 280 toneladas e mediam 35,10 metros de comprimento (casco) por 7,55 metros de boca. Curiosidade : vários elementos da tripulação da escuna «Glycine» foram recrutados (nos anos 30 do século XX) pelo famoso explorador Jean Charcot, para reforçarem os efectivos do «Pourquoi Pas ?», malogrado navio de pesquisas científicas.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
«GARIBALDI»
Paquete italiano que navegou, nos seus primeiros anos de vida, com as cores da Società Lloyd d’Italia, da Transatlantica Italiana Società Anonima di Navigazione e da Ligure Brasiliana. Foi construído em 1906 pelos estaleiros da Società Esercizio Badini (de Riva Trigoso), lançado ao mar com o primitivo nome de «Virginia» e imediatamente colocado na linha Génova-Nova Iorque. Passou, mais tarde, para a rota da América do sul, onde se manteve até 1914. O já então nomeado «Garibaldi» -em honra do ‘Herói dos Dois Mundos’- era um paquete de 5 181 toneladas (tab), com 116,24 metros de longitude e com uma capacidade de acolhimento para mais de 1 600 passageiros. Transportou, essencialmente, emigrantes para os portos de Santos (Brasil) e de Buenos Aires (Argentina). Depois da Grande Guerra de 1914-1918, o navio foi vendido por mais duas vezes. Em 1925, à companhia Citra e, em 1932, à Tirrenia, conservando, sempre e no entanto, o nome de «Garibaldi». Desactivado, por óbvias razões, durante o tempo que durou o segundo conflito generalizado, este paquete italiano foi alvo de um bombardeamento da aviação aliada ocorrido no dia 2 de Agosto de 1944, contra o porto de Nápoles. Onde se afundou. Reemergido no imediato pós-guerra, em 1946, o navio foi julgado inapto à navegação e acabou os seus dias num estaleiro italiano de ferro-velho, onde foi desmantelado.
«DON DE DIEU»
Foi a bordo deste navio que o explorador francês Samuel de Champlain chegou ao Canadá, em 1608, para fundar a colónia de Quebeque. O «Don de Dieu» fez parte de uma frota de três naus, que zarpou de Honfleur (norte de França) na Primavera do referido ano, sob o comando supremo do capitão Henri Couillard. Desconhecem-se as suas características físicas (deslocamento, comprimento, boca, calado, etc), embora se tenha construído em 1907 -por ocasião do 3º centenário da cidade de Quebeque- uma réplica (que presumimos pouco rigorosa) do navio. A cidade em questão (uma das mais antigas de toda a América do norte) integrou uma silhueta desta histórica nau no seu brasão de armas e na sua bandeira municipal.
«AEMILIA»
Durante um período da chamada Guerra dos Oitenta Anos (no final da qual os Países Baixos se livraram da tutela de Espanha), este vaso de guerra foi o navio-almirante do grande estratega naval Maarten Tromp e está, por essa razão, associado aos seus triunfos contra as armadas ibéricas. O «Aemilia», que chegou a ser o maior navio holandês do seu tempo, esteve, por exemplo, presente na famosa batalha das Dunas (1639), na qual a Espanha (que compreendia, ainda então, o reino de Portugal) perdeu 43 dos seus 70 navios e sofreu 6 000 mortos. O «Aemilia» foi construído em 1632 -para o almirantado de Roterdão- nos estaleiros de Jan van den Tempel Salomonszoon da mesma cidade. Deslocava 600 toneladas, media 37 metros de comprimento por 9,90 metros de boca e tinha um calado de 4,30 metros. Este navio de linha estava armado com 57 peças de artilharia, distribuídas por três convezes. Não se sabe o ano da sua desactivação, nem em que circunstâncias desapareceu, mas presume-se que tenha sido desmantelado depois de 1647, último ano em que o seu nome é mencionado em documentos oficiais.
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